EDITORIAL

Como será dezembro?

Em troca de mais vagas para o estacionamento, o comércio pode acertar o alvo errado

Os principais corredores da região central registram lentidão em dias comuns, sem chuva, nem véspera de feriado e nem agenda de grandes eventos, que obrigatoriamente modificam a rotina do uso de carros. Acentua-se esse cenário em dezembro com a movimentação de consumidores em razão das compras e confraternizações e formaturas nas faculdades, escolas, empresas, etc.

A decisão da Secretaria Municipal de Transportes de liberar o estacionamento em vias como a Coronel Souza Franco e José Bonifácio, atendendo pedido do comércio, deve complicar um quadro já saturado.

Os comerciantes miram a oferta de facilidades aos consumidores. O problema é complexo. Em troca de mais vagas para o estacionamento, o comércio pode acertar o alvo errado: os apuros com a lentidão tem tudo para mais afastar do que atrair o cliente.

Esses corredores são estreitos. Mais carros circulando e condições menores de se promover o escoamento dos veículos tendem a compor um dezembro de chateações e perda de tempo para motorista e passageiros, com reflexos também no transporte público.

Não estamos, aqui, contra a decisão. Apenas propondo um exercício de reflexão sobre onde chega o desafio do trânsito da cidade com uma frota maior, a cada final de mês, e sem a criação de rotas alternativas para melhorar a mobilidade urbana.

As ruas centrais pouco mudaram nas últimas décadas. E não houve, ainda, medida de peso que altere o ponto de vista do morador que vai de carro para o centro porque o uso do ônibus é desinteressante.

Linhas existem. O “senão” apontado pelo usuário do sistema público municipal é a incompatibilidade entre preço, horários e trajetos de interesse para o passageiro. Mesmo para quem vai cumprir roteiros curtos, usar o ônibus costumar não compensar.

Embora tenha seus argumentos, o comerciante pode novamente enfrentar, em condição inferior, a concorrência com outros núcleos de compra. E isso sem levar em conta o pior de tudo nessa história: muitos trabalhadores e lojistas são quem desfruta da liberação do estacionamento deixando o carro estacionado o dia inteiro no centro e não favorecendo o uso das vagas por um número maior de consumidores, como o esperado pela medida que será adotada a partir do próximo dia 29.


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