LARGO DO ROSÁRIO

Companhia teatral Clara Trupi encena a escravidão em Mogi

EM PRAÇA A montagem ao ar livre terá figurinos coloridos e música, como pôde ser visto no ensaio aberto realizado ontem. (Foto: divulgação)
EM PRAÇA A montagem ao ar livre terá figurinos coloridos e música, como pôde ser visto no ensaio aberto realizado ontem. (Foto: divulgação)

Com incentivo do ProAC do Governo do Estado de São Paulo, a companhia teatral Clara Trupi de Ovos y Assovios encena, neste sábado e domingo, o primeiro de quatro episódios da obra ‘Sebastião Cruzado no Aço’, que discorre sobre um escravo negro enforcado em solo mogiano. As apresentações são gratuitas e estão marcadas para as 20 horas, no Largo do Rosário.

Sob o nome ‘Incelenças’, o ato inicial dá a base para que seja contada uma história de 1839: o enforcamento de Sebastião, fato que na visão do coletivo, “adentrara ao território mítico da população regional”. “Revelaremos em nossa obra uma poética escusa dos senhores universais da senzala, dos coronéis oligárquicos instituídos, dos capatazes contemporâneos, por meio de imersões populares, de grupos tradicionais, de corporeidades, cantos, ritmos e danças”, explica o fundador da companhia, Rodrigo Romão Batista.

O conceito não só parece como é, de fato, complexo. No entanto, o próprio Rodrigo detalha o enredo: “O texto discorre sobre o mito histórico de um escravo negro que é enforcado em Mogi e resiste perante violências do seu senhorio, para depois ser condenado à forca. Então falamos sobre uma emenda da primeira constituição de 1824, sobre resistência a enforcamento de negros, mas de maneira alegórica e poética, com vários referenciais”.

A ideia da trupe é “ocupar todo o marco zero da cidade”, afinal, “ao celebrar a incelença, que tem em seu rito de tradição popular a ascensão do morto, aqui elevaremos por vias líricas Sebastião”. Por isso, a antiga Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de Mogi das Cruzes será ofertada ao protagonista, e em contraposição o monumento Obelisco será revelado, numa metáfora a opressividade bélica característica daquele tempo.

Para tornar esta experiência uma “cantata pública, popular e imersiva”, entre os convidados estarão atuadores musicais, a Congada de Santa Ifigênia e o grupo Jabuticaqui, todos “com suas perspectivas e experiências culturais”, como destaca Rodrigo.

Próximos atos

‘Casa Trajada do Véu’, o segundo episódio de ‘Sebastião Cruzado no Aço’, será encenado na Casa do Café, em Salesópolis, ainda sem data definida. Para a ocasião, a Cia. Clara Trupi fará menção poética “às casas grandes, às casas dos procederes de violências privadas, perpetuadas em regimes de exceção e sistemas patriarcais”.

Na sequência, ‘Cavalhadas em Lastros de Leite’ acontecerá em Biriba Mirim, onde serão reveladas “as coerções dos sistemas dominantes aos seus populares que legitimam as arbitrariedades impostas contra sua própria sociedade, suas minorias”. E para encerrar, o ato ‘Capela de Sebastião’ retornará para Mogi das Cruzes, cidade em que será celebrado “o mito, a cultura, a comoção popular no cerne de teu poderio e práxis política”.

Outras informações estão disponíveis em facebook.com/claratrupi.