TRADIÇÃO

Comunidade festeja o centenário da imigração japonesa em Mogi

CULTURA Entre as expressões da conexão entre os dois povos estão a culinária, dança e a música. (Foto: divulgação)
CULTURA Entre as expressões da conexão entre os dois povos estão a culinária, dança e a música. (Foto: divulgação)

Os 100 anos da chegada do primeiro imigrante japonês à cidade serão comemorados hoje, a partir das 8h30, em evento promovido pelo Bunkyo de Mogi das Cruzes e pela Associação dos Agricultores de Cocuera. O centenário da imigração será marcado pelo reconhecimento aos serviços prestados por 83 pessoas do município que contribuíram para o desenvolvimento da comunidade nipo-brasileira.

Entre os homenageados do Festival 100 Anos de Imigração em Cocuera e Mogi das Cruzes, viabilizado pela Lei de Incentivo à Cultura (LIC), estão o Grupo Diário, o prefeito Marcus Melo (PSDB), outros políticos e lideranças de bairro, empresários, comerciantes, agricultores e representantes de vários setores da economia e da sociedade mogiana, que receberão placas comemorativas.

O cônsul-geral do Japão no Brasil, Yasushi Noguchi, é esperado, assim como o ex-deputado e atual presidente da Junta Comercial do Estado de São Paulo, Walter Ihoshi, os deputados Marcos Damasio (estadual) e Marco Bertaiolli (federal), vereadores, o ex-deputado federal e ex-prefeito de Mogi, Junji Abe, entre outros.

“A programação começa às 8h30 com culto budista e missa católica. Depois haverá a entrega das placas de homenagem. A Associação e o Bunkyo servirão almoço e os convidados poderão conferir ao show da cantora Karen Ito, com sua equipe de dançarinos”, detalha Frank Tuda, presidente do Bunkyo.

O Festival 100 Anos de Imigração contará ainda com o lançamento do livro sobre a história da imigração na cidade, previsto para dezembro.

O presidente da Associação dos Agricultores de Cocuera, Antônio Waragaya, diz que os convidados deste domingo representam vários bairros da cidade e lembra a importância da preservação da história da imigração em Mogi. “Cem anos se passaram, marcados por muito trabalho e conquistas. Nunca podemos nos esquecer do passado porque graças a ele é que existimos hoje”, destaca.

A solenidade exclusiva para 400 convidados acontecerá na sede da Associação dos Agricultores do Cocuera, localizada na rodovia Professor Alfredo Rolim de Moura (Mogi-Salesópolis), 3.894.

Família Suzuki, a primeira a chegar

Mogi recebeu os primeiros imigrantes japoneses em setembro de 1919, onze anos após a chegada do navio Kasato Maru ao Porto de Santos, no dia 18 de junho de 1908. Shiguetoshi e Fujie Suzuki deixaram a terra natal Akita Ken e desembarcaram na cidade litorânea em 27 de maio de 1919.

Primeiramente, os Suzuki – que deixaram dois filhos no Japão e aqui tiveram outros cinco – se instalaram em uma fazenda de Sabaúna, onde Shiguetoshi se dedicou à lavoura e Fujie era responsável pelos afazeres domésticos e pela criação de porcos. Como o combinado com a família não foi cumprido e a mulher engravidou de Carlos, o primeiro nissei nascido em Mogi, eles foram trabalhar em um sítio no bairro do Cocuera a convite do alemão Carlos Stenberg.

Lá, Shiguetoshi derrubava a mata para plantar e vendia lenha para as famílias mogianas usarem nos fogões. Na lavoura, cultivava mandioca, milho, feijão, batata, repolho e tomate. Logo fez amizades e aprendeu o português. Os imigrantes japoneses que depois chegaram à cidade os procuravam porque ele acolhia e orientava a todos.

Depois dos Suzuki, várias famílias chegaram ao Cocuera e a vários bairros rurais da cidade. A maioria se dedicou à agricultura e a produção rural rendeu a Mogi o título de Cinturão Verde do Estado de São Paulo. Hoje, a comunidade japonesa está presente nos diversos setores da economia brasileira.

Deixe seu comentário