IMIGRAÇÃO

Comunidade japonesa de Mogi das Cruzes se fortalece

IVANILDA Integrante da terceira geração de descendentes, Roger Kayasima destaca a dedicação de toda a comunidade japonesa. (Foto: arquivo)
Integrante da terceira geração de descendentes, Roger Kayasima destaca a dedicação de toda a comunidade japonesa. (Foto: arquivo)

São 111 anos da Imigração Japonesa no Brasil e quase 100 desde que a primeira família do Japão chegou a Mogi das Cruzes, data que será celebrada em setembro. Após tanto tempo, a comunidade nipobrasileira se mostra cada vez mais fortificada na cidade e, com isso, tem representantes nos mais diversos segmentos da sociedade. Além disso, conta com entidades tradicionais que conseguem renovar seus líderes e manter os antigos, fortalecendo a cultura do país oriental. Hoje, os descendentes representam 8% da população mogiana, algo em torno de 36 mil pessoas.

Vice-presidente do Bunkyo – Associação Cultural de Mogi das Cruzes, Roger Kayasima considera a data de extrema importância por reforçar a ideia de que a comunidade nipobrasileira já está totalmente integrada no País, assim como imigrantes de outros lugares, como Itália e Alemanha, por exemplo. Ele lembra o quanto alguns aspectos da cultura foram aderidos no Brasil, com a culinária, os karaokês, os desenhos – com mangás e animes – e o esporte.

“Nós conseguimos conquistar esse espaço sem nenhum tipo de rivalidade e rixa e isso é muito importante, porque pudemos agregar na sociedade. Em Mogi, nós somos em muitos e até algumas pessoas que vêm de fora e não convivem tanto com nikkeis estranham quando chegam aqui. Mas, dentro desse contexto, conquistamos uma proximidade muito grande na cidade e, até mesmo no Bunkyo, 70% dos alunos de língua japonesa são não descendentes”, disse Kayasima.

Integrante da terceira geração de descendentes, ele lembra o quanto a história mudou com a dedicação de toda a comunidade. Os primeiros imigrantes chegaram a Mogi trabalhando naquilo que era considerado a vocação deles: o campo. Depois, até mesmo pelo estudo ser uma característica marcante nos japoneses, eles passaram a conquistar outros cargos em diferentes setores, como odontologia, medicina, política e na indústria.

Prova desta ocupação e representação por parte dos descendentes, a Câmara Municipal tem atualmente Sadao Sakai (PR) como presidente, cargo que já foi ocupado pelo pai dele, Tadao Sakai, que faleceu durante o mandato como vereador. Tem ainda Juliano Abe (MDB), vice-prefeito, como outro representante da comunidade nipobrasileira. O pai dele, Junji Abe (MDB), cumpriu ainda dois mandatos como prefeito – entre os anos de 2001 e 2008.

“Aqui na cidade, pelo menos, nós temos uma transição nas lideranças nikkei ou talvez seja uma mescla. Porque temos os mais velhos e mais tradicionais, que conhecem a fundo os valores das raízes da cultura japonesa e temos as outras gerações. No Bunkyo, por exemplo, eu e o presidente Frank Tuda somos empresários e, com isso, conseguimos trazer parcerias com o poder público e também com a iniciativa privada. O que é fundamental para manter a entidade”, explicou o vice-presidente.

Os eventos em comemoração à imigração estarão concentrados, principalmente, em setembro, quando acontece o Festival 100 anos de Imigração em Cocuera e Mogi das Cruzes, entre os dias 14 e 15. Já neste domingo, dia 23, será realizada uma missa campal, na Praça dos Imigrantes, a partir das 10 horas.

Entedidades serão homenageadas pela Câmera

Dez entidades representativas da colônia japonesa deverão ser homenageadas pela Câmara Municipal em comemoração aos 100 anos da chegada da primeira família de japoneses em Mogi das Cruzes. De autoria dos vereadores Sadao Sakai (PR), Claudio Miyake (PSDB) e Pedro Komura (PSDB), o decreto de lei cria a homenagem e lembra as dificuldades enfrentadas pelos pioneiros imigrantes que venceram barreiras como o desconhecimento da língua portuguesa e dos costumes brasileiros e a força que as associações tiveram para o desenvolvimento da comunidade japonesa a partir da agricultura e das inovações das técnicas de plantio que projetaram a economia mogiana.

As entidades homenageadas são: Associação Rural de Pindorama, Associação Rural de Porteira Preta, Bunkyo – Associação Cultural de Mogi das Cruzes, Associação Centro Cultural Esportiva de Mogi das Cruzes, Associação Sul de Mogi das Cruzes – Capela, km 11, Associação Cultural do Rio Acima, Associação Cultural Agrícola de Biritiba Ussu (Acabu), Associação Cultural Hinode (Quatinga), Associação Cultural Agrícola Itapeti, Associação Cultural Agrícola de Vila Moraes, Associação dos Agricultores de Cocuera e o Sindicato Rural de Mogi das Cruzes. Após a aprovação da iniciativa deverá ser definida a data da sessão de entrega da homenagem.

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