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Confira como se comporta o Nissan Leaf, elétrico que está chegando ao Brasil

O Nissan Leaf já está em pré-venda no Brasil por R$ 178,4 mil e as primeiras unidades devem chegar no final de março (Foto Divulgação)

Em tempos onde a eletrificação das motorizações domina a pauta da indústria automotiva global, uma proposta é a referência incontornável nessa matéria: o Nissan Leaf. Automóvel elétrico mais vendido do mercado global, o seu protagonismo foi reforçado com o lançamento da nova geração em 2018, que registra uma importante evolução em quase todos os aspectos. No Brasil, as pré-vendas do Leaf já estão abertas, com preços a partir de R$ 178.400 e a previsão é que as primeiras unidades cheguem às ruas no final de março.
Logo em um primeiro olhar, é evidente que o novo Leaf progrediu no plano estilístico face ao seu predecessor, apesar desse progresso não posicioná-lo ainda entre os automóveis visualmente mais atraentes do mercado. A antiga aparência quase “espacial” e um tanto bizarra deu lugar a um visual mais consensual e, também, mais sofisticado, maduro e distinto. Na versão Tekna Two Tone, há uma espécie de concessão à modernidade, representada pela opcional pintura em dois tons, em branco e preto (teto, colunas traseiras e mais alguns outros pormenores), responsável por um aspecto mais esportivo.
No entanto, o mais decisivo em um automóvel elétrico é o seu desempenho dinâmico. Não tanto em termos de performance ou prazer de utilização, mas sim no plano do consumo e, principalmente, da autonomia. Neste particular, o novo Leaf também apresenta importantes novidades, com destaque para o aumento da potência da unidade motriz de 109 cavalos para 150 cavalos, e a ampliação da capacidade da bateria de íons de lítio dos 30 kWh oferecidos nos derradeiros Leaf da primeira geração para os atuais 40 kWh.

Nissan divulga autonomia de 270 km em ciclo combinado, mas a condução do Leaf deve ser muito cuidada para se obter isso (Foto Divulgação)

A versão do Leaf testada na capital portuguesa e nas estradas periféricas foi a Tekna Two Tone, com o sistema de estacionamento automático ProPilot Park. Como é habitual em um carro elétrico, a função de recuperação de energia atua em frenagens e desacelerações, e é no meio urbano que a autonomia fica mais generosa. Com condução (muito) cuidada, é possível se aproximar dos 250 quilômetros, isto é, um pouco menos do que os 270 quilômetros anunciados pela Nissan no ciclo combinado.
Nas estradas, mesmo a ritmos conservadores, dá para se percorrer uma distância semelhante a velocidades na casa dos 80 a 100 km/h, ou um pouco mais de 200 quilômetros rodando na faixa dos 120 a 140 km/h. Entretanto, se a ideia for tirar todo o partido do “powertrain”, rodando muito tempo próximo da velocidade máxima (limitada a 144 km/h), é necessário ter em conta que a carga da bateria se esgota rápido. No limite, não serão necessárias mais do que algumas dezenas de quilômetros para uma visita urgente a um posto de carregamento.
Quando tal acontece, continua a se evidenciar o “calcanhar de Aquiles” de qualquer automóvel totalmente elétrico: o tempo exigido para repor a carga da respectiva bateria. No caso do novo Leaf, em um posto de carga rápida a 50 kW, é necessário uma hora para se repor 80% da carga. Para uma recarga total, a espera passa a ser de 7,5 horas a 6,6 kW/32 A, de 15 horas a 3,6 kW/16A ou de 21 horas em uma tomada convencional doméstica europeia de 2,3 kW/10 A. Em outras palavras, é muito mais do que o tempo necessário para se reabastecer o tanque de combustível de um vulgar automóvel movido por um motor de combustão.

O tempo moroso para carregamento das baterias também deve ser levado em conta pelo futuro comprador do Leaf (Foto Divulgação)

O Leaf conta com alguns auxiliares determinantes, caso do modo de condução Eco, que limita bastante a resposta do acelerador para reduzir o consumo energético. Já o modo B da transmissão serve, essencialmente, para mover cargas rebocáveis mais facilmente, mas atua ainda como um superpotente “freio motor” em desaceleração, assim contribuindo para uma maior regeneração energética. O sistema e-Pedal é uma das grandes inovações e maiores atributos do novo Leaf. Permite que o motorista acelere, desacelere, pare e segure o carro usando apenas o pedal do acelerador.
Uma vez no interior, chama a atenção o conjunto de materiais, na sua maioria compostos por plásticos duros, algo que não compromete a qualidade dos acabamentos e, sobretudo, valoriza o rigor da montagem. A prova está na quase ausência de ruídos, mesmo quando se enfrentam pisos em pior estado de conservação. Algo que é sempre uma espécie de “teste de força” para um veículo elétrico, no qual praticamente não existem outros ruídos além do de rolamento.
A habitabilidade é generosa para quatro ocupantes, já que o enorme túnel central, imposto pela colocação da bateria, acaba por tolher fortemente a liberdade de movimentos e a comodidade de um eventual terceiro passageiro do banco traseiro. O porta-malas, de 420 litros, é razoável, embora o acesso não seja dos mais propícios ao carregamento de volumes mais pesados e/ou de maiores dimensões.

Interior do Leaf exibe muito plástico duro nos acabamentos, embora isso não afete o silêncio a bordo, quase que sem ruídos (Foto Divulgação)

Nessa nova geração, com mais potência, mais autonomia e melhor em praticamente todos os quesitos, o Leaf continua a ser um automóvel cuja compra exige ponderação, por representar mudanças profundas nos hábitos do motorista e não ser barato – em Portugal, o modelo sai por 38.950 euros (cerca de R$ 160 mil). Todavia, optar pelo Leaf passa por uma questão de filosofia de vida e de custos de utilização, mais do que de aquisição. Acaba por ser um automóvel grande e caro, quando orientado essencialmente para uma utilização urbana, e limitado em termos de autonomia em estrada e performance dinâmica, quando comparado com um familiar compacto do mesmo nível de preço. As limitações impostas pelos morosos tempos de recarregamento devem ser igualmente levadas em consideração. Se, ainda assim, a opção for um elétrico, o Leaf terá de ser mesmo levado em conta. Até porque não há outro elétrico que ofereça tanto pelo mesmo preço. (Antonio Pereira/Absolute Motors Portugal; colaborou Luiz Humberto Monteiro Pereira/Agência AutoMotrix)

Ficha Técnica
Nissan Leaf Tekna Two Tone

Motor: Elétrico, síncrono de íman permanente, transversal, dianteiro. Corrente alternada. Bateria de íons de lítio com 360 V e 40 kWh. Tempo de recarga de 60 minutos (80% em carga rápida); para carga completa, recarga em 7,5 horas (32 A); 15 horas (16 A); 21 horas (10 A).
Tração: dianteira
Potência máxima: 110 kw/150 cavalos
Torque máximo: 32,6 kgfm, de zero a 3283 rpm
Dimensões exteriores: 4,49 metros de comprimento, 1,79 metro de largura e 1,54 metro de altura, com 2,70 metros de distância entre-eixos
Rodas – pneus: 6 1/2Jx17″ – 215/50
Peso: 1558 kg
Relação peso/potência: 10,38 kg/cv
Capacidade do porta-malas: 420 litros
Direção: tipo cremalheira com assistência elétrica variável
Freios: Discos ventilados dianteiros e traseiros
Suspensões: Dianteira MacPherson e barra estabilizadora e traseira com eixo semi-rígido e barra estabilizadora
Ano lançamento: 2018
Preço da versão (Portugal): 38 950 euros