CASO RAYANE

Conheça detalhes do caso Rayane Paulino

Michel Flor da Silva confessou o assassinato da jovem durante interrogatório na Delegacia Seccional de Mogi das Cruzes (Foto: Natan Lira)

Polícia diz que o segurança Michel Flor da Silva enforcou a vítima, de 16 anos, após dar carona e estuprá-la

Sem expressar qualquer arrependimento e com semblante firme, o segurança, bombeiro civil e lutador de capoeira Michel Flor da Silva, de 28 anos, deixou a viatura da Polícia Civil na Seccional de Mogi das Cruzes e foi para uma sala reservada, no auditório da Delegacia. Ele é o suspeito do crime de maior repercussão no país nos últimos dias: o caso Rayane. A jovem estudante, de 16 anos, foi morta por Silva na madrugada do dia 21 de outubro último, após ele oferecer carona a ela e, segundo a Polícia, estuprá-la.

Silva foi capturado na casa em que mora com a mulher e um filho, em Guararema, na madrugada de ontem, nove dias após o crime. Durante coletiva na manhã de ontem, o delegado Rubens José Ângelo, do Setor de Homicídios de Mogi das Cruzes, disse que o suspeito confessou ter matado a jovem depois de oferecer carona a ela. Ângelo pontuou ainda que ele demonstra ser “extremamente frio e calculista”.

Segundo a Polícia, vítima e suspeito não se conheciam. Ainda na noite do dia 20 de outubro, Rayane deixou a festa e começou a caminhar sozinha no sentido Guararema da Rodovia Mogi-Guararema. “Os amigos apontam que ela não estava gostando da festa, e resolveu ir embora, mas foi a pé. No entanto, em vez de tomar o rumo de Mogi, ela tomou o rumo de Guararema. E andou um bom trecho deste sentido contrário. Passou um motorista de Uber, viu aquela moça caminhando sozinha, parou, conversou com ela. Disse que não poderia levá-la até Mogi, mas ofereceu uma carona até Guararema, onde ela poderia pegar um ônibus. Ele a deixou lá, disse que ela pegaria o ônibus. Ela ficou vagando pela rodoviária sozinha, quando este sujeito (Michel) se aproximou”, divulgou o delegado seccional Jair Ortiz Barbosa.

Silva é funcionário de uma empresa terceirizada que faz a segurança da Rodoviária de Guararema. A investigação da Polícia aponta que ele viu a jovem e, em dado momento, ela se sentou e ele foi até ela. “Perguntou se precisava de ajuda, ofereceu uma blusa, depois água, mas ela não quis. E ele foi conversando e ofereceu a carona até Mogi. Ele entra no carro dele, um nissan versa, e vem sentido Mogi. No interrogatório dele, ele diz que em dado momento, ela falou que ainda queria curtir. Ele então disse para irem a Jacareí. Mas este ato dele é isolado, inverídico, que não corrobora com os dados colhidos”, pontua Ortiz.

Ainda segundo o depoimento do suspeito, no meio do caminho, ele e a vítima se beijaram e houve sexo no local onde o celular de Rayane viria a ser descartado depois, no km 170 da Rodovia Presidente Dutra, em Jacareí. “Ele contou que Rayane teria se arrependido e disse ‘pera aí, olha o que você fez comigo, me estuprou, eu vou chamar a Polícia, meu pai é polícia’. Isso não é verdade, é uma história que ele inventou”, conta o delegado Rubens.

Em seguida, num ato de reprovação, segundo o depoimento de Michel, Rayane deu um chute em sua perna, neste momento ele deu um mata-leão nela e ela desfaleceu dentro do carro. “Dali, ele rumou para a entrada do Miracatu. Lá, ele afere a pulsação dela pelo pulso e jugular e vê que ela ainda está viva. Com receio de responder pelo crime de estupro, ele vê a bota dela que estava no carro, retira o cadarço e amarra no pescoço dela e pressiona a asfixiar até a morte”, conta Rubens.

O corpo da jovem foi encontrado uma semana depois, já em estado avançado de decomposição. O pai, um tio e uma prima foram ao local mas apenas a prima encontrou indícios de que era Rayane. No dia seguinte, a mãe Marlene Paulino foi ao Instituto Médico Legal e reconheceu o corpo. A estudante foi enterrada no Cemitério São Salvador na tarde de segunda-feira.

Michel Flor da Silva confessou o assassinato da jovem durante interrogatório na Delegacia Seccional de Mogi das Cruzes (Foto: Natan Lira)

Tecnologia ajuda trabalho da Polícia

O delegado seccional de Mogi das Cruzes, Jair Barbosa Ortiz destacou durante entrevista coletiva na manhã de ontem que hoje a tecnologia é um facilitador em casos como o da jovem Rayane Paulino Alves, de 16 anos. “O mundo está monitorado e nós deixamos rastros por onde passamos. Rastros por conta das nossas redes sociais, celulares e há câmeras de monitoramento espalhadas por todo canto. No caso da Rayane houve muita boa vontade de policiais experientes, e também dos recursos tecnológicos”, pontuou o delegado.

Especificamente nesta investigação, segundo Ortiz, foram utilizados diversos recursos, entre eles o rastreamento de celulares, imagens de câmeras e cães farejadores da Polícia Militar. “Com este quebra-cabeça montado, o suspeito uma vez interrogado, não conseguiu usar desculpas que trouxessem veracidade à sua versão, até que ele começou a cair em contradição e resolveu contar. A gente quer que as pessoas saibam que as polícias de Mogi e São Paulo possuem recursos para esclarecer crimes por mais difíceis que pareçam. A gente vai esclarecer”, pontua o seccional. (N.L.)