EDITORIAL

Conhecer para lutar

Uma bandeira social e humana poderá dar um salto consistente nos próximos anos, com o cruzamento das informações e de políticas públicas planejadas a partir da atualização mensal da Base de Dados dos Direitos da Pessoa com Deficiência, uma nova fonte de consulta criada e disponibilizada pela Secretaria Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

De fácil acesso, a pesquisa permite conhecer a parcela da população de cada município paulista com algum tipo de deficiência (visual, motora, auditiva, etc), bem como a situação socioeconômica desses cidadãos. Eles trabalham? Estudam? Quanto ganham? E quais são as violências praticadas contra eles? Para lutar, é preciso conhecer a fundo a causa defendida.

Em simples consulta ao site (http://basededados.sedpcd.sp.org.br) é possível quantos morrem de causas naturais, dentro de casa, muitas das vezes, o que pode sinalizar as dificuldades no acesso à rede de saúde e tratamento.

A reunião desses dados traça um perfil um pouco mais seguro do que hoje é encontrado de maneira dispersa em outras fontes de pesquisa.

Mogi das Cruzes tem cerca de 28 mil pessoas (Fonte: IBGE) que demandam de políticas públicas específicas para acessar a saúde, educação, trabalho, previdência social e etc.

As lutas por direitos humanos começam pela visibilidade dada a injustiças, violações e negligências. No caso da pessoa com deficiência, esse princípio sempre bateu de frente com a invisibilidade dessa população ao longo da história por preconceito e a desqualificação da vida dos que integram grupos minoritários.

A inexistência de respostas para o básico – quantos deficientes eram alfabetizados, por exemplo – foi sentida por pais e educadores, os primeiros a se articularem para defender e garantir os direitos dos 6,5% das pessoas abandonadas pelo estado e pela sociedade. O deficiente já teve menos voz do que possui hoje. Algo que começa a mudar, de verdade.

Desde o final do século XX, Mogi das Cruzes viu surgir e reconheceu organizações governamentais e não governamentais que abraçaram essa bandeira – Apae, as primeiras salas para deficiência auditiva na escola Dr. Washington Luís, a Emesp, o Tradef, a AACD, entre outras. É por esse legado do passado que a cidade se mostra pouco mais aparelhada para utilizar essa nova rede estadual de consulta de dados e seguir defendendo cerca de 30 mil pessoas com deficiência.


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