MEMÓRIA

Conselheiro defende a relevância do Casarão dos Duque, que pode ser demolido

CASARÃO Atualmente o imóvel passa por processo de tombamento como patrimônio histórico. (Foto: arquivo)

“A demolição do Casarão dos Duque seria uma perda irreparável para a história e a identidade de Mogi das Cruzes”, afirma o professor Josemir Ferraz, membro do Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural, Artístico e Paisagístico de Mogi das Cruzes (Comphap). “Nossa cidade, uma das mais antigas do país, já perdeu tanto de seu passado”, lamenta. “Muitas construções, que caracterizam períodos importantes desapareceram, por isso a luta do conselho pelo casario é importante”, acrescenta ele, ao comentar o imbróglio do processo de tombamento do imóvel, que voltou e deve permanecer em pauta.

Representantes do Comphap afirmam que manterão os esforços para preservar o prédio erguido no século passado conhecido como Casarão dos Duque, localizado na rua Dr. Deodato Wertheimer, no Mogilar, “assim defendendo um importante interesse da sociedade”.

Em entrevista a O Diário publicada ontem, representantes da Sotto Teixeira Engenharia, atual proprietária do terreno que abriga o casarão, alvo de um processo de tombamento de Patrimônio Histórico, prometeu ir às últimas instâncias para concluir o projeto do grupo – ainda em fase de estudos – de erguer três edifícios habitacionais no local, com 160 apartamentos no total, no terreno, que hoje tem parte ocupada pelo casario.

Os atuais proprietários defendem que laudos técnicos apontam que o imóvel não pode mais ser restaurado. O documento também indicaria que o casario sofreu intervenções que descaracterizam o valor histórico e afirmam que não foram encontrados documentos oficias que comprovem que o local abrigou uma plantação de café, afirmação também desconhecida por Marcello Duque, herdeiro do casario, que negociou o imóvel com a Sotto.

Já o conselheiro Josemir contesta e afirma que o plantio de café pode ser sim evidenciada. “Além de ser algo cravado na tradição oral da cidade, ilustrações do casario aparecem em livros antigos demonstrando isso”, diz. Além disso, reforça que a época e a forma como o prédio foi construído também deixam evidências sobre a importância da edificação do século passado para preservar a memória de Mogi.

Biólogo de formação e irmão do professor Jurandyr Ferraz de Campos, falecido no ano passado e considerado um dos mais reconhecidos historiadores da cidade, Josemir garante conhecer bem a história do prédio e retifica sua importância. Apesar de estarem buscando na Justiça autorização para demolir o casarão, os proprietários dizem que não têm intenção de destruir parte da história da cidade, “já que estão embasados laudos técnicos que comprovam que o imóvel não pode mais ser restaurado, por causa do seu estado deteriorado”. Eles também criticam o prosseguimento do processo de tombamento e defendem que foram notificados sobre o interesse para a preservação apenas após a finalização da compra.

Procurada, a presidente do Comphap, a professora Luci Bonini não quis comentar as declarações dos proprietários. Afirmou apenas que aguarda os desdobramentos judiciais sobre o tema, e lembra que o Conphap é encarregado de cuidar e defender os interesses da população, sendo “um importante representante da sociedade civil”.


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