AUXÍLIO

Conselho Municipal de Cultura aprova destinação de recurso do fundo para ajudar artistas da cidade

ABRANGENTE A Mostra Virtual envolve todos os segmentos artísticos, como fotografia, artes cênicas, dança, música, cinema, artes plásticas, literatura e manifestações populares. (Fotos: divulgação)

Está aprovado pelo Conselho Municipal de Cultura a utilização de R$ 99 mil do Fundo Municipal de Cultura para dar continuidade à Mostra Virtual de Mogi das Cruzes – A Arte Não Esqueceu de Você (Movi.Ar). Desde quando começou, em abril, a agenda já contemplou 63 artistas, e a expectativa agora é atender cerca de 80 pessoas por “aproximadamente três meses”, como adianta a presidente do Conselho Municipal, Priscila Nicoliche.

A decisão em manter o apoio ao projeto que tem auxiliado artistas locais neste momento de isolamento social, quando não são possíveis apresentações em palcos presenciais, se deu na última terça-feira, em reunião online. Nos próximos dias a Pasta abrirá um chamamento público para cadastro, a fim de regularizar o fornecimento do repasse em dinheiro.

Os esforços seguem como da primeira vez, destinados a todos os segmentos artísticos, como fotografia, artes cênicas, dança, música, cinema, artes plásticas, artesanato, literatura e manifestações populares. A diferença é que agora “serão 100% de recursos do conselho, que se mobilizou em apoio à classe artística”, como afirma o secretário municipal de Cultura e Turismo, Mateus Sartori.

Priscila completa a fala, esclarecendo a origem do recurso. A verba seria destinada “para o Estúdio Municipal de Cinema e Fotografia”, mas foi entendido “que este é um momento muito delicado e a urgência maior “é que as pessoas sejam socorridas em suas necessidades primárias”, diz ela.

Sartori confirma a decisão e diz que “quando tudo voltar à normalidade” serão repassados outros recursos para o Estúdio Municipal de Cinema e Fotografia. “Esses valores são provenientes de taxa de locação dos equipamentos culturais da cidade (10% da bilheteria) e projetos do Programa de Fomento à Arte e Cultura de Mogi das Cruzes (Profac) e da Lei de Incentivo à Cultura (LIC) que têm devolução de recursos. Portanto, é um dinheiro da cultura e não sai da dotação orçamentária do município”.

Contrapartida

Para que possam receber o “apoio financeiro emergencial” os artistas da cidade são estimulados a desenvolver apresentações e conteúdo online em plataformas virtuais, em especial as redes sociais. São nomes já conhecidos que “migraram dos palcos tradicionais para o ambiente online”.

As intervenções são várias, principalmente transmissões de vídeo em tempo real pelas redes sociais. As apresentações ocorrem conforme agenda e planejamento de cada artista, porém o maior volume é registrado durante os fins de semana. Todo o calendário está disponível em facebook.com/culturamogi.

Trata-se de “uma maneira de garantir que as pessoas continuem consumindo cultura durante a quarentena, um momento em que é fundamental proporcionar esse acesso, ainda que em um novo formato”, define Mateus Sartori.

Balanço

Segundo a Secretaria de Cultura, os artistas têm dado feedback positivo, principalmente sobre as lives, que tem “mantido e até ampliado o contato com o público”. “Este formato de apresentação funciona também como uma ferramenta de engajamento, pois muitas pessoas que normalmente não iriam a um show ou a um teatro começam a acompanhar as lives. É uma estratégia que pode ter continuidade e ser levada adiante pelos artistas, mesmo no pós-quarentena”, destaca Sartori.

Priscila Nicoliche concorda e avalia que “a mostra tem um resultado excelente, além de ser um aprendizado de produção em casa, mesmo com alguma dificuldade técnica”. Ela enxerga ainda outro benefício: a proximidade que a programação gerou com a comunidade artística. “Muita gente que não fazia parte do circuito da secretaria acabou sendo beneficiado e se aproximando”.

Para Priscila na verdade não se trata de “ajudar”, e sim de “uma função que o poder público tem que ter”. “Mogi sai na frente nesse sentido, pois oferece estrutura para que o artista deixe de ser um sujeito sonhador e passe a se ver como classe trabalhadora”, acredita.

Exemplo da “estrutura” por ela mencionada é o fato de que, antes do acréscimo de R$ 99 mil aprovado pelo Conselho Municipal de Cultura nesta semana, a Pasta já havia destinado apoio financeiro e estimulou a realização de atividades online por parte de guias turísticos da cidade, bem como transferiu quase R$ 17 mil para grupos de cultura popular da cidade, como congada, marujada e moçambique.

Além disso, Mogi deve receber mais de R$ 2,7 milhões por meio da Lei Nacional de Emergência Cultural Aldir Blanc, para auxílio a profissionais da cultura e manutenção de espaços artísticos (leia mais abaixo).

Mogi aguarda por recursos da Lei Aldir Blanc

Como já divulgado por O Diário na semana passada, Mogi das Cruzes pode receber R$ 2.738.823,90 por meio da Lei Nacional de Emergência Cultural Aldir Blanc, para “auxílio a profissionais da cultura e manutenção de espaços artísticos”. Enquanto aguarda a regulamentação oficial para recebimento do dinheiro, o Conselho Municipal de Cultura já pensa no que fazer com a verba.

“Na reunião desta semana começamos a apontar possibilidades de como tudo pode ser feito. É claro que nada pode ser confirmado, mas pensamos em editais que podem ser feitos e em quem teria acesso a eles”, diz Priscila Nicoliche, presidente do Conselho.

Na avaliação dela, a verba deve estar disponível à Cultura de Mogi “em meados de julho”, isso considerando que a cidade já “está organizada” para o recebimento, pois dispõe de um e do Fundo Municipal de Cultura e de um cadastro oficial de artistas.

Aprovada no dia 4 de junho, em sessão virtual do Senado Federal, a lei distribuirá R$ 3 bilhões em todo o país, com repasse de R$ 600 a artistas e apoio mensal entre R$ 3 mil e R$ 10 mil a espaços culturais, que estão impedidos de realizar atividades presenciais, além de recursos para editais de fomento a projetos culturais.


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