ECONOMIA

Consumidor de Mogi demonstra cautela em relação à Black Friday

ESQUENTA Algumas lojas já oferecem descontos em função da Black Friday que acontecerá no próximo dia 29. (Foto: Elton Ishikawa)

Na semana que antecede a Black Friday, o clima no Centro de Mogi das Cruzes ainda é de receio em relação à data que promete movimentar o mercado nacional no próximo dia 29 com vendas pela internet e em lojas físicas. Na manhã de ontem, a reportagem esteve nas ruas conversando com as pessoas e, quase que na sua totalidade, os entrevistados não demonstraram interesse com a data. A expectativa Associação Comercial de Mogi espera aumento de 4% nas vendas deste ano.

Anne Elaine, de 29 anos, está mobilhando a casa. Ela precisa de armário de cozinha e um sofá, mas disse que vai deixar as compras o mês de janeiro. “Na liquidação de começo de ano realmente é mais em conta. Quem acompanha os preços sabe que aqui no Brasil não tem esse desconto que a gente vê lá fora. É praticamente uma fraude”, diz.

José Cícero Gomes, de 46 anos, namorava uma geladeira de R$ 2,6 mil em um loja de departamentos no calçadão. É o produto que está precisando atualmente, mas diz que o preço ainda é muito alto. “Eu vou acompanhando, se na Black Friday estiver em um preço que eu consigo pagar, eu compro. Hoje é só mesmo olhar e ir acompanhando os descontos”, pontuou.

Panela de pressão, liquidificador e um armário de cozinha estão no radar do aposentado Moacyr Antonio Pinto, de 71 anos. Por conta disso, ele tem acompanhado os preços, mas acredita que a aquisição vai ficar só para janeiro. “Aqui no Brasil a gente já percebeu que desconto mesmo é só na queima de estoque do início do ano. Mas vale a pena acompanhar os preços, porque aí na melhor hora a gente compra”, pontua.

O adiantamento do saque do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) deixa o gerente do Barracão, loja de brinquedos e utilidades do Centro, com boa expectativa. Nilson Celestino dos Santos espera que as vendas sejam 5% maiores este ano, em relação a 2018. “É uma data que poderia ser melhor aproveitada no Brasil, inclusive começou muito bem, mas por algumas empresas terem sujado a imagem da Black Friday, muita gente fica receosa e não acredita que realmente tem o desconto”, diz.

A loja dele vai trabalhar com a promoção nos dias 29, sexta-feira, e no sábado 30. mirando as compras de utilidades domésticas, já que o Dia das Crianças passou recentemente. “A gente contratou dois funcionários para o Dia das Crianças, e eles vão reforçar o atendimento nos dias da promoção, e também estenderemos um pouco o horário, mas sem fazer black week, porque o desconto tem que ser mesmo no dia”, pontuou.

Já na Tranzação Modas, a gerente Neuma Bandeira adota em cada semana do mês de novembro a promoção de algumas peças de roupa específica, com o objetivo de adiantar as promoções aos clientes. “No dia da Black Friday é tanta loja com promoção, que às vezes as pessoas não conseguem acompanhar. Aqui a gente tem duas equipes, que no dia vão esticar um pouco mais o horário para atender a demanda”,diz.

Neuma diz ainda que o preço mais em conta faz com que muita gente já aproveite a data para comprar presentes de fim de ano e também para ao aniversariantes. “A gente tem bastante cliente japonês, e eles costumam comprar os presentes antecipados e deixar guardado, porque não é um problema para a gente fazer a troca depois”, pontua.

Mogi deve movimentar R$ 5 milhões

Uma estimativa feita sobre as perspectivas de vendas durante o Black Friday mostra que as vendas em Mogi das Cruzes, Suzano e Itaquaquecetuba deverão movimentar R$ 9,5 milhões neste mês. Os organizadores desta ação comercial no Brasil apostam em um aumento de 21% dos negócios, em comparação com o ano passado. No País, a expectativa é de superar a marca de R$ 3,15 bilhões.

Entre as três cidades da Região, Mogi deve obter o melhor resultado, com a realização de compras no valor de R$ 5 milhões. Em seguida vem Suzano, com R$ 2,5 milhões, e Itaquaquecetuba, com R$ 2 milhões.

É possível acompanhar os dados gerados em edições anteriores no site oficial do evento (www.blackfriday.com.br.)

O faturamento do Estado de São Paulo representa 36% do total nacional de vendas durante o período.

“O Black Friday vem batendo recordes de faturamento todos os anos, desde quando lançamos o evento no Brasil. Depois de um crescimento mais moderado nos anos do ápice da crise, hoje, ainda que a economia não esteja totalmente recuperada e com turbulências políticas, há uma maior confiança para gastar, inclusive aproveitando-se de compras represadas nesses períodos ”, explica Ricardo Bove, idealizador do Black Friday, do LeadMedia, grupo francês que opera no Brasil com a marca BlackFriday e Busca BuscaDescontos.

Os produtos mais vendidos são smartphones (37%). eletrodomésticos (36%), televisores (29%), informática (24%) e móveis e decoração (22%).

Lojas físicas aderem à iniciativa

A Associação Comerciual de Mogi das Cruzes orienta os comerciantes a aproveitarem a Black Friday para melhorar as vendas. A vice-presidente da ACMC, Fádua Sleiman, ressalta que pela primeira vez, neste ano, o número de compradores nas lojas físicas deverá se igualar ao do comércio eletrônico, o que aumenta as oportunidades de negócios.
“A cada ano mais lojas aderem à Black Friday e a data pode realmente trazer bons resultados, mas para isso é fundamental que os lojistas pratiquem o que a data propõe, que são mercadorias com descontos reais atrativos e facilidades no pagamento”, alerta a dirigente.

Outra característica da versão nacional da Black Friday é o período de liquidações. Os consumidores brasileiros cada vez mais valorizam as lojas que estendem as promoções para a semana inteira. “É importante o lojista separar as mercadorias que são atrativas e cabem descontos especiais, fazer divulgações eletrônicas e físicas das promoções e também pensar nas possibilidade de pagamento que atendem aos clientes sem comprometer o fluxo de caixa. Não se pode esquecer que para muitos segmentos, as vendas da Black Friday podem representar o Natal antecipado”, diz a vice-presidente da associação.


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