Conta extra


Parte dos consumidores mogianos deverá arcar com os prejuízos financeiros que tiveram com o fornecimento da água amarelada. O Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae) não planeja conceder algum tipo de ressarcimento ou desconto àqueles que gastaram mais água para executar as tarefas diárias, comprar água potável e/ou instalar equipamentos para filtrar o líquido. Pela segunda vez em quatro anos e num fenômeno ainda não explicado, a água apresentou índices elevados de manganês no ponto de captação, no Rio Tietê, onde está a Estação Pedra de Afiar. É preciso descobrir o que aconteceu para prevenir  a situação no futuro.

Desde o início do problema, famílias de diversos pontos da Cidade tiveram preocupações e prejuízos com o uso do produto – umas mais do que as outras. Para conseguir lavar a roupa, mesmo cientes da crise hídrica, que ainda recomenda bom senso e a economia no consumo na Região Metropolitana de São Paulo, as pessoas foram obrigadas a descartar os primeiros jatos de água toda vez que a torneira era aberta e já estão preparando para um possível aumento no valor da  conta referente ao mês de novembro, a ser paga em dezembro. Somam-se a isso outros gastos empreendidos em bairros onde a ocorrência foi mais severa e persistente, e os moradores tiveram de providenciar medidas como a limpeza da caixa d’água, a compra de água para cozinhar.

Mudanças na rotina de tratamento da água foram anunciadas pelo Semae para garantir a transparência da substância, mas não eliminam a presença do manganês, como afirmou o professor de Química, Alexandre de Lima, em entrevista concedida a O Diário. Ele sugere que os investimentos sejam feitos de maneira a realmente eliminar o excesso do manganês para acabar de vez com o problema no futuro e devolver a confiança das pessoas quanto à qualidade do produto.

Desde os primeiros relatos sobre essa situação, o Semae atesta a propriedade da água para o consumo, apesar de a coloração ter restringido o uso doméstico em sua plenitude e acarretado gastos extras para parte das 273 mil moradores abastecidas pelo Semae – o restante da população, estimada em cerca de 147 mil habitantes de Mogi das Cruze, distribuídos em bairros de localidades como Braz Cubas, bebe a água da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo), comprada pela Prefeitura. Tudo caminha para que essa conta – de filtros, perda de água, limpeza de reservatórios e compra de água mineral – seja um encargo para uma parte dos mogianos.


Deixe seu comentário