ARTIGO

Contrastes em terras canarinhas

José Francisco Caseiro

ciesp@ciespaltotiete.com.br

A boa notícia deste segundo semestre, até o momento, é a aprovação da tão esperada Reforma da Previdência em dois turnos na Câmara de Deputados. Agora o governo começa a busca de votos para aprovar a proposta no Senado. Um avanço inquestionável, mas também ofuscado pela constatação de que a economia está estagnada a ponto da expectativa de crescimento do País ser reduzida para menos de 1%. Pior ainda para a indústria, que sofre com a baixa no consumo interno e sente os reflexos externos dos seus parceiros comerciais, em especial a Argentina. Como resultado disso, o PIB industrial não deve alcançar 0,5% em 2019.

Com o alto índice de desemprego e a falta de perspectivas, as famílias continuam cortando o consumo. Sem vender, o comércio não compra e a produção fica parada nas fábricas. Além de não abrir novos postos de trabalho, muitas indústrias fecham os que têm para conseguir enfrentar a crise, que continua mais presente do que se imagina.

A liberação dos saques do FGTS traz um alívio para o quadro atual de estagnação, porém é um alívio muito pequeno e com resultados incertos. É clara a necessidade de mais ações de curto prazo para a reativação da demanda, em especial, no campo dos juros, que embora tenham os índices reduzidos recentemente, ainda não se fazem presentes na prática de quem precisa do crédito para ter condições de refazer o capital.

Ao mesmo tempo, é imprescindível seguir com a agenda de reformas para possibilitar a recuperação da economia a longo prazo. Isso significa urgência na efetivação da Reforma da Previdência – essencial para recuperar a confiança dos investidores – e também avanços na Reforma Tributária, assim como uma política de incentivo à participação da indústria brasileira no mercado global.

Afinal, mesmo com toda essa situação caótica, o Brasil ainda se destaca em alguns setores, o que confirma o seu potencial hoje desperdiçado por tantos problemas econômicos e políticos. Nove empresas brasileiras estão entre as 20 empresas mais valiosas da América Latina, enquanto o México tem cinco, Chile duas, Peru duas, Argentina uma e Colômbia uma. Tudo bem que a maioria dos destaques brasileiros são instituições financeiras, mas três são do setor industrial – Petrobrás, Ambev e Vale. E ainda que não tenha nenhuma surpresa entre as elencadas (afinal, são sempre elas), acalanta saber que nem tudo está perdido, desde que atitudes sejam tomadas e aqueles que estão no poder tirem o olho do próprio umbigo para pensar no Brasil como um país possível de dar certo.

José Francisco Caseiro é diretor do Sistema Fiesp/Ciesp no Alto Tietê