Convênio com a Polícia Federal vai armar a Guarda Municipal de Mogi | O Diário de Mogi
SEGURANÇA

Convênio com a Polícia Federal vai armar a Guarda Municipal de Mogi

Agentes são submetidos à avaliação para uso de armas de fogo. (Foto: Eisner Soares)
Agentes são submetidos à avaliação para uso de armas de fogo. (Foto: Eisner Soares)

A Superintendência Regional da Polícia Federal firmou convênio com a Prefeitura de Mogi das Cruzes para a concessão de porte de arma de fogo aos integrantes da Guarda Municipal, conforme publicação na edição de ontem do Diário Oficial da União.

Segundo o secretário municipal de Segurança, coronel reformado da PM, Paulo Roberto Madureira Sales, o convênio vai possibilitar a continuidade dos preparativos para que os integrantes da Guarda possam utilizar armas de fogo em seu trabalho, no dia a dia da Cidade.

A regularização do acordo com a Polícia Federal abre caminho para que os guardas possam prosseguir numa série de cursos preparatórios que irá capacitá-los para o trabalho. Os atuais guardas já foram submetidos à avaliação psicológica realizada por uma profissional devidamente habilitada pela Polícia Federal para a realização desse exame. Em todo o Alto Tietê, somente dois psicólogos estão habilitados para tal serviço.

A avaliação é rígida. Tanto que dos 185 guardas que passaram pela análise, somente 125 foram aprovados. Tal performance abre espaço para que a Guarda Municipal de Mogi inicie a capacitação de mais 30 aprovados numa seleção anteriormente realizada pela Prefeitura. A Guarda está autorizada a manter um efetivo de 273 integrantes, que ainda está distante de ser alcançado. Todo esse efetivo, depois de devidamente capacitado e aprovado, irá integrar o quadro dos estatutários do Município.

Concluído o teste psicológico, os remanescentes da Guarda participarão de cursos teórico e prático, antes de serem autorizados a utilizar as armas de fogo no trabalho.

No curso teórico, eles aprenderão noções sobre legislação e também sobre mecanismos e funcionamento do armamento, durante 200 horas/aula.

Já o curso prático irá capacitá-los para agir nas inúmeras situações a que poderão vir a ser submetidos. Eles irão aprender quando e de que maneira poderão sacar e utilizar a arma e também receberão informações relativas ao controle emocional exigido de um policial em ação. Nesta fase do aprendizado, os guardas terão os primeiros contatos com as armas, aprenderão a desmontá-las e a montá-las em situação de pressão psicológica e só depois de devidamente informados sobre o funcionamento das pistolas é que irão para o estande praticar o tiro ao alvo.

Ao todo, serão aproximadamente 60 horas deste curso, sendo que cada um dos profissionais terá de disparar pelo menos 100 tiros, antes da conclusão do aprendizado. Para serem aprovados, os guardas deverão atingir uma pontuação mínima que levará em conta inúmeros aspectos deles exigidos durante os treinamentos.

Apesar de a preparação alcançar todo efetivo da Guarda Municipal de Mogi, nem todos serão autorizados a trabalhar armados. “Serão uns 50%, no máximo”, afirma o secretário Sales.

Somente usarão as armas de fogo os guardas que estiveram trabalhando nas ruas, integrando o policiamento motorizado, seja por viaturas de quatro rodas ou motos. O armamento estará liberado também para ações específicas, como reintegrações de posse, ações de choque, ou eventos que justifiquem a necessidade dele.

O repórter questiona se armar uma Guarda Municipal não significa um risco muito grande para a comunidade. O secretário de Segurança tem a resposta na ponta da língua:

“Perigoso seria se não tivesse toda esta capacitação do pessoal. É como um médico que fosse atender às pessoas sem passar por um aprendizado detalhado, estágio e tudo mais. Porém, depois que ele é devidamente preparado e capacitado, esse médico é mais um profissional preparado para oferecer um atendimento de qualidade. O mesmo acontece com a Guarda”, diz Sales.