EDITORIAL

Convivendo com a Covid-19

Na esteira da retomada dos atendimentos dos serviços públicos, a abertura do agendamento de consultas e exames, anunciada pelo secretário municipal de Saúde, o médico Henrique Naufel, era uma medida esperada e necessária.

Desde março, a interrupção da maioria dos programas de saúde preventiva produz um efeito colateral perigosíssimo dentro da própria pandemia porque pode contribuir com o aumento de outras causas de mortalidade, a curto, médio e longo prazo.

Esse represamento no atendimeto à saúde aconteceu na rede pública e também no sistema particular, como o médico Álvaro Otávio Isaías Rodrigues, do Centro Oncológico de Mogi das Cruzes, destaca em reportagem publicada em nossa edição de domingo.

Embora algumas cirurgias e outros procedimentos urgentes tenham sido mantidos, a medicina preventiva foi duramente afetada.

Em todas as áreas que se imagine – psiquiatria, ortopedia, pneumologia, oftalmologia, e etc. – houve perdas com o fechamento de clinicas e/ou a restrição aos atendimentos emergenciais. A telemedicina foi testada,mas ainda é limitada.

Este lastro provocado pela pandemia poderá ser sentido nos próximos meses, no combate a doenças, como a dengue, na atualização de vacinas, a falta de agenda para exames e cirurgias, e por aí vai.

Já se mede, inclusive, o impacto que a pandemia trará nos índices da expectativa de vida, que tem dependência direta do controle de doenças invasivas e não invasivas.

Falamos sobre esse aspecto para destacar a importância do agendamento retomado pela Prefeitura, que continuará restrito a situações como a necessidade de não se promover aglomeração nos serviços médicos. Estão sendo anunciadas consultas com horários intercalados. Isso, para inibir a reunião de muitas pessoas. Esse modelo deverá ecoar na rede particular.

Essa é uma nova e desafiadora fase do combate à Covid-19, que continua em curso, com mais pessoas sendo infectadas e morrendo.

O que todos gostariam era antecipar o tempo. Já contar com o tratamento e a vacina contra essa doença. Não funciona assim.

Conviver com a Covid-19 exigirá muitas mudanças. No caso da saúde, essa reabertura deverá criar regras de segurança para os profissionais da saúde e os pacientes, e, acima de tudo, irá requerer a boa vontade de todos para que essa etapa promova a vida e o bem-estar. E não o contrário disso.


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