Cordel do impeachment

Dos principais personagens do episódio, sem dó, vou narrar.Não é minha intenção, caluniar, difamar, nem mesmo injuriar.
Homens públicos de críticas e narrativas, não podem reclamar.
Começo com a Senhora Dilma, que agiu de forma arrogante.
No cargo mostrou-se despreparada, muito incompetente,
Mergulhou o país em uma crise enorme, sem precedente.
E mais, teria desrespeito às leis, agindo fraudulentamente.
Uma professora pediu o afastamento. No governo criou ira.
Depois de um discurso na USP, foi apelidada pomba gira.
O processo ficou parado, não teve andamento como a lei impunha.
O governo não negociou com o deputado. Caiu nas garras do Cunha.
A Dilma nomeou ministro, um investigado ex-presidente do Brasil.
O ato, no entanto, pelo judiciário foi rechaçado, considerado vil.
O ex-presidente ficou triste, chamou o Supremo de carrasco.
Chateado, no sítio de um amigo, foi comer um churrasco.
Defendendo a Dilma o AGU, isso é ilegal, sempre reitero.
Entrou com tantos recursos, que só de pensar me desespero.
Ganhou um apelido, ficou conhecido como Dr. Rolando Lero.
O ministro pomposo e o de nome estrangeiro, queriam dar um jeito.
Mas os demais juízes trataram a Constituição com o devido respeito.
Na Câmara o processo foi a julgamento. Nunca ouvi tanta besteira.
Foi um triste episódio, ofensas verbais, discussões e até cuspideira.
A Câmara aprovou o afastamento e o processo foi para o Senado.
O presidente da Câmara dos Deputados, réu em processo criminal, foi afastado.
Assumiu o alto cargo, um deputado com cara de sanfoneiro,
Anulou o processo, mas durou pouco a decisão do trapaceiro.
O presidente do Senado rejeitou a conduta do arruaceiro.
Para examinar o caso, sem demora foi escolhida uma comissão.
Defendendo a presidente, gente briguenta e chata de montão.
Uma senadora do Paraná, cansativa e de nariz arrebitado.
Um representante do Rio, eterno estudante, sem ser formado.
Perderam a parada, o processo foi ao plenário, para ser julgado.
Nesse dia eu constatei muita burrice, fiquei muito aporrinhado.
Os senadores por 15 minutos falaram, houve muito palavreado.
Só precisava dizer sim ou não, bastava para dar o comunicado.
Vinte horas de sessão e a Presidente foi julgada. Se deu mal.
No dia seguinte, discurso da afastada, no palácio presidencial.
Reparei que o Lula, abatido, suava muito mais que o normal,
Parecia triste e preocupado com o Japonês da Federal.
Rezo para que o interino tire o país dessa crise sem igual.
Deus precisa ajudar, pois parece ruim a equipe ministerial.

Perseu Gentil Negrão é procurador de Justiça do Ministério Público de São Paulo