ARTIGO

Coronavírus – Eu estou muito “puto”

Perseu Gentil Negrão

Normalmente escrevo crônicas “água com açúcar”, com temas amenos. Hoje, porém, vou esbravejar. Perdoem, mas serei grosso, contundente. Espero que meu lamento atinja alguns. Quero, sim, ofender os egoístas e os que querem levar vantagem com a epidemia.

Vou completar 62 em abril p. futuro. Portanto, sou do grupo de risco, agravado pelo fato de ser fumante (sou do tempo que fumar era bonito e fazer “outras coisas” era feio).

Pois bem, estou “auto recluso” em minha casa. Cancelei uma sonhada viagem que faria em junho próximo (tomei um “baita” prejuízo). No meu recolhimento, faço “home office”, assisto televisão, brinco com minha cadelinha, leio livros e bisbilhoto as redes sociais.

No sábado, fugi da “auto quarentena” e fui até a casa da minha filha. No caminho, passei em frente ao shopping e constatei que o estacionamento estava lotado. Vi, também, muitas pessoas nos botecos, como se nada estivesse ocorrendo.

No domingo, estarrecido, vi um bando de “xiitas” (no sentido de fanáticos), fazendo uma manifestação a favor do governo. E o “excelentíssimo” presidente em meio à multidão, contrariando todas as determinações das autoridades sanitárias. Mas não é só isso. Vi praias lotadas.

Na segunda-feira, tomei conhecimento que muitas pessoas pretendem tirar vantagens do “home office” e da suspensão das aulas. Já estão marcando viagens, por conta da “folga” forçada.

Minha pouca educação não permite “elogiar” devidamente essas pessoas, que estão jogando no time do vírus.

Para meu consolo, soube que algumas pessoas estão se oferecendo para fazerem compras para os idosos. Em vários edifícios de apartamentos foram afixados cartazes. Pena que são poucos altruístas, contra muitos egoístas.

A triste constatação é que, por causa dos muitos filhos de hetairas (com o devido respeito às profissionais do sexo), seremos vencidos pelo vírus.

Perseu Gentil Negrão é procurador de Justiça do Ministério Público de São Paulo


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