ESTRUTURA

Covid-19 expõe déficit de leitos de Uti no Alto Tietê

Necessidade de leitos é uma das demandas do novo coronavírus.

O principal argumento para o cumprimento do isolamento social é a falta de estrutura hospitalar para atender um grande número de pacientes, ao mesmo tempo, nas cidades brasileiras. A Câmara Técnica de Saúde do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) coordena os preparativos para a criação de mais leitos nas próximas semanas. O grande desafio é reduzir os impactos da demanda que será criada por 5% dos 20% dos pacientes que precisarão de internação para tratar os sintomas agudos do coronavírus, o Covid-19. Das 10 cidades do Alto Tietê, quatro não possuem Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e seis não têm ala de isolamento nos hospitais públicos e particulares, segundo indica o Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde (veja quadro).

Esses são os números desafiadores nesta crise da saúde pública e utilizados, e que servem de argumento para o convencimento das pessoas ainda resistentes ao confinamento social. O gerenciamento dos leitos de UTI será feito pela Secretaria de Estado da Saúde, por meio da Rede Cross (Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde), porém a deficiência dessa rede de assistência intensiva, agora, modula o tamanho do problema que as autoridades buscam minimizar com a redução do número de pessoas infectadas. Guararema, Salesópolis, Biritiba Mirim e Poá não têm serviços hospitalares com UTI.

As cidades que possuem hospitais públicos municipais, estaduais e particulares são Mogi das Cruzes, Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba, Santa Isabel, Suzano e Arujá. Juntos, esses municípios possuem 121 vagas em UTI para adultos, 30 em UTI Pediátrica (na sexta-feira, um bebê de três meses estava internado com o Covid-19, segundo o secretário municipal de Saúde, Henrique Naufel) e 25 vagas para isolamento. Essa rede regional não soma a oferta de assistência intensiva de Guarulhos, que também integra o Condemat.

Mogi das Cruzes possui o seguinte quadro: Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo (10 para adultos e 9 infantis), Santa Casa (8 adultos, nenhuma pediátrica, e 10 leitos na UTI Neonatal, um setor que não é computado nesse balanço do Cadastro Nacional, e quatro vagas para isolamento), Municipal de Braz Cubas (10 adulto e três de isolamento), Ipiranga (7 adultos, 1 pediátrico e 1 isolamento), Biocor (4 adultos, 1 pediátrico) e Santana (20 adultos).

As secretarias municipais têm desenvolvido ações para mitigar um quadro ainda previsível sobre o número de internações que serão necessárias. Em Mogi das Cruzes, segundo o médico Henrique Naufel, novos equipamentos deverão ser providenciados para atender a demanda mais alta, esperada para abril.

Os dados oficiais, no entanto, replicam as dificuldades do sistema de saúde nacional, confrontados com rigor por essa pandemia. O secretário Naufel tem repetido à exaustão o pedido para que as pessoas vulneráveis permaneçam dentro de casa até passar o risco de contágio do vírus, como aconteceu em cidades chinesas.

“Se possível, não saiam de casa. Muita gente vai se infectar, mas não vai apresentar nenhum sintoma grave. 20% vão apresentar a doença e desses 20%, 5% necessitarão de cuidados hospitalares intensivos. É pra esses 5% que a gente está se preparando”, disse o secretário em um encontro com vereadores, na última quinta-feira. Esses pacientes graves poderão necessitar de respiradores por um período de 21 dias. Ou seja, a rotatividade no uso dessas vagas não será rápida.

Para enfrentar as próximas semanas, entre as medidas tomadas, destacam-se a transformação do Hospital Municipal de Braz Cubas em referência para os casos de coronavírus, suspensão de todas as cirurgias eletivas, não urgentes, e o uso da área de enfermaria da unidade para internação.

A principal recomendação é que os pacientes com sintomas leves do coronavírus permaneçam em casa – 80% dos doentes não terão problemas graves como a insuficiência respiratória aguda. Deixando as vagas dos hospitais para o público vulnerável (idosos, grávidas, diabéticos, hipertensos). Informações a pacientes são fornecidas 24 horas por dia, por médicos, no Disque-Corona, em Mogi, pelo telefone 4798-5160.


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