EDITORIAL

Creche para todos

Criado há cinco anos, o Cadastro Municipal Unificado serve de base para a atualização dos dados sobre o acesso das crianças de zero a seis anos às creches e pré-escolas municipais, um direito estabelecido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Alimentado três vezes por ano, em março, julho e novembro, o documento auxilia o planejamento da Secretaria Municipal de Educação.

O poder público tem investido na ampliação da rede de creches municipais ainda em número insuficiente para atender a demanda. A situação já foi bem pior, no passado recente, quando o deficit superava a casa de 5 mil. Em março passado, o CMU possuía 1,9 mil crianças à espera de uma vaga perto de suas residências, coisa que também determina a lei. Em julho, esse número saltou para 2,9 mil – o que modera um sinal de alerta sobre o serviço social importantíssimo para pais, num primeiro momento, e para a formação das futuras gerações.

Pode explicar esse avanço um dos reflexos da crise econômica – o desemprego e a crise econômica forçam muitos pais a abandonar a rede particular e buscar abrigo no ensino público.

Novas unidades estão em construção e/ou ampliação. O deficit pesa muito mais nas regiões mais pobres e em expansão habitacional.

Essa situação vai além das dificuldades e preocupações dos pais com a falta de vagas. Pesa, na verdade, no futuro da cidade. Quem frequenta a creche e a escola mais cedo potencializa a chance de concluir o ensino intermediário, com melhor qualidade e de forma ininterrupta. No Brasil, 4 em cada 10 jovens não terminam o Ensino Médio.

Jundiapeba é um dos polos mais necessitados após a construção das milhares de unidades habitacionais do Programa Minha Casa, Minha Vida, que inflaram o índice populacional do lugar, a ser medido com mais segurança no ano que vem quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vai contar quantos somos no Brasil.

A atualização do CMU permite corrigir distorções que prejudicam a distribuição das vagas. Um exemplo prático se dá quando a família registra mais de um endereço na tentativa de ser atendida logo.

É importante acompanhar o andamento do CMU e também pressionar pelo fim deficit desse e de outros serviços públicos que não acompanham o ritmo do crescimento e das necessidades da população. No caso das creches, é fato que as últimas administrações têm atuado para reduzir a espera. O que, aliás, não é mérito, é obrigação.


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