OCORRÊNCIAS

Crimes que marcaram Mogi das Cruzes e região em 2019 ainda aguardam desdobramento

TERROR Alunos e professores viveram momentos de extrema tensão e medo no dia 13 de março quando a Raul Brasil foi invadida. (Foto: arquivo)

Que 2019 foi um ano marcado por tragédias é incontestável. Logo em seu primeiro mês, o desastre de Brumadinho, em Minas Gerais, ceifou 393 vidas de trabalhadores e moradores. Em seguida, quase que em efeito dominó, o noticiário foi tomado por fatos que marcariam para a vida das famílias brasileiras. Em março, veio da vizinha Suzano uma parte mais triste da história do ano passado: o massacre na unidade estadual Professor Raul Brasil, que levou a violência para dentro da escola. O Diário separou cinco acontecimentos do noticiário policial da região e atualiza os desdobramentos dos casos.

TERROR Alunos e professores viveram momentos de extrema tensão e medo no dia 13 de março quando a Raul Brasil foi invadida. (Foto: arquivo)

No dia 13 de março do ano passado, a cidade de Suzano foi mostrada a todo o mundo a partir de um atentado sofrido em uma de suas mais tradicionais escolas estaduais, a Professor Raul Brasil. Dois ex-alunos, Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25, entraram no prédio durante a manhã e abriram fogo contra funcionários e estudantes, no horário do intervalo. Cinco alunos, uma coordenadora pedagógica e uma professora foram assassinadas. Antes disso, também foi morto o tio de Monteiro. Ao final da ação, o mais novo matou o mais velho e se suicidou, segundo a versão da polícia.

As investigações do caso chegaram a um segundo menor, de 17 anos, que seria o “mentor intelectual do crime”, segundo o Ministério Público. A justiça determinou a pena socioeducativa para ele, com a internação em uma unidade da Fundação Casa. A instituição não divulga se ele permanece na unidade.

A Polícia Civil chegou ainda aos nomes de quatro suspeitos de terem fornecido ou negociado as armas e munições utilizadas no massacre, e os indiciou por homicídios, tentativas de homicídio e comércio ilegal de armas e munição. São eles Cristiano Cardias de Souza, Adeilton Pereira dos Santos, Geraldo Oliveira dos Santos e Márcio Germano Masson. Eles passaram por audiência de instrução e agora, segundo o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, esperam por uma decisão do juiz se eles vão ou não a júri popular.

Na escola, ações sociaise de saúde atenderam os alunos e professores. Obras foram feitas. E muitos estudantes pediram transferência para outras escolas.

Mortos e presos em furto a agências de Guararema

GUARAREMA Moradores acompanharam as explosões dos caixas eletrônicos e a perseguição policial aos 25 suspeitos do assalto. (Foto: arquivo)

A cidade de Guararema amanheceu no dia 4 de abril estampada no noticiário nacional, depois que cerca de 25 suspeitos tentaram furtar agências bancárias utilizando cinco veículos, dois deles blindados. Os moradores acostumados com o clima pacato do município se assustaram com o clima que permeou a cidade naquele dia e os que se seguiram, com a imprensa nas ruas e um helicóptero à procura dos criminosos.

Além dos mortos, três suspeitos foram presos após fugir para uma área de mata da cidade. O governador João Doria fez questão de exaltar, à época, a ação dos policiais. “Bandido no cemitério”, disse.

Após quatro meses de investigação, a Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo apontou que três dos onze suspeitos mortos na ocorrência de Guararema não reagiram à ação dos policiais, além de um quarto que já estava rendido quando foi morto.

De acordo com o resultado preliminar apontado pelo laudo da Ouvidoria, ao qual a reportagem de O Diário teve acesso, a ocorrência de Guararemafoi a maior em letalidade policial neste ano. “A ocorrência deGuararemanão se caracteriza como uma registro cotidiano de morte em decorrência de intervenção policial”, ressalta o documento.

Em nota, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP) informou que as polícias Civil e Militar prenderam seis suspeitos da tentativa do roubo às agências bancárias.

A ocorrência registrada no Deic foi concluída e relatada à Justiça em 12 de abril. “A Polícia Militar esclarece que o Inquérito Policial Militar foi encerrado pela Corregedoria e encaminhado à Justiça, a qual dará prosseguimento com a persecução criminal, na fase de competência do Poder Judiciário”, destacou o texto.

Mãe e filho morrem após queimaduras

Nicassio de Assis Sousa, de 41 anos, foi o autor de um dos crimes que mais chocou Mogi das Cruzes no último ano. Segundo a Polícia Civil, ele não aceitou o término do relacionamento que mantinha há um ano com Michelli Juliana Martins, de 34 anos, e usou álcool doméstico para atear fogo no quarto em que ela dormia com o filho, Enzo Gabriel Martins de Souza, de 7 anos. O caso aconteceu em 7 de novembro, no Jardim Aeroporto III.

No mesmo dia do crime, Sousa foi localizado e preso pela polícia, mas negou a autoria do crime. As duas vítimas foram socorridas ao Hospital Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes, ela com 70% do corpo queimado e a criança com 90%. Enzo morreu dois dias após o crime. Já Michelli chegou a ser transferida para um hospital especializado em queimados na cidade de Bauru, no interior do estado, mas também morreu no dia 11 de novembro. A Secretaria de Estado de Segurança (SSP) detalhou que o suspeito permanece preso e foi indiciado por homicídio qualificado e violência doméstica.

Motoristas são vítimas de assaltantes

CRUELDADE Valter Prado Filho foi morto por quatro criminosos, um deles menor, e de forma cruel que assustou a própria polícia. (Foto: arquivo)

O mês de setembro foi de muito medo e insegurança para os motoristas por aplicativo do Alto Tietê. Em 30 dias, três foram mortos. A primeira morte foi na madrugada do dia 2 de setembro, em Mogi das Cruzes. Valter Prado Filho, de 32 anos, desapareceu durante uma corrida e a esposa, também motorista, percebeu que algo estava errado, já que o carro encontrava-se parado há algum tempo no mesmo local. Eles foram ao endereço, em um terreno de um sítio às margens da rodovia Mogi-Salesópolis. O corpo do profissional foi encontrado com marcas de choque e perfurações. Três acusados foram presos e um menor apreendido pelo crime.

preendido pelo crime. Elvis Souza Leite, de 41 anos, assassinado durante corrida em Itaquaquecetuba. Ele foi enforcado com o cinto do próprio banco. Osmar de Souza Prado, de 36 anos, foi a terceira vítima fatal do mês, em Suzano. Ele foi baleado pelos criminosos, mas bateu o veículo e os criminosos fugiram.

No caso de Mogi, a Polícia Civil prendeu Mikaele Barcelo Bastos, Lilananda Chanda de Jesus e Wilker Rodrigues Neves por suspeita do crime. Eles foram indiciados por latrocínio, porque confessaram que queriam roubar o carro, mas ele apresentou problema. Permanecem presos.

Funcionário da Prefeitura acaba detido

No dia 19 de outubro, a Prefeitura de Mogi divulgou um dos crimes que mais impressionaram: o desvio de mais de R$ 1 milhão dos cofres públicos municipais. O suspeito é o chefe de divisão da própria administração municipal, José Luiz Jurioli Filho. Era ele o responsável por enviar o arquivo da folha de pagamento ao banco e também de recebê-lo. Segundo a prefeitura, nesses momentos ele alterava os arquivos. Em quase dois anos, o funcionário teria conseguido desviar mais de R$ 1 milhão dos cofres públicos.

O prefeito Marcus Melo (PSDB) foi pessoalmente ao Ministério Público fazer a denúncia. A justiça decretou a indisponibilidade dos bens dele e decretou a prisão. O processo corre em segredo de justiça. Por isso, a Secretaria de Estado de Segurança Pública pode divulgar apenas que ele permanece preso, mas sem detalhar o andamento das investigações


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