Crise diminui preço de imóveis

valorização  Vila Partênio está entre os bairros com o m² mais caro / Foto: Jonny Ueda
Vila Partênio está entre os bairros com o m² mais caro / Foto: Jonny Ueda

Com o mercado em queda livre por causa da crise econômica brasileira, a venda de imóveis enfrenta projeções negativas até o fim do próximo ano. Novos apartamentos e salas comerciais saem com descontos de até 35% se comprados à vista, o que não acontecia desde o começo do ano 2000. Os bairros com preços mais elevados de metro quadrado (m²) são a Vila Partênio e o Centro Cívico, com valores entre R$ 6,9 mil e R$ 7 mil. Os mais baratos são Jardim Esperança, Jardim Universo e Vila Brasileira, que giram entre R$ 2,6 mil e R$ 3 mil.

Os dados e números fazem parte da Pesquisa Guia do Mercado Imobiliário, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), divulgada pela edição desta quinzena da revista Exame. Confira em quadro na edição impressa os preços, em média, dos m² (usados) de alguns bairros de Mogi das Cruzes, Suzano e Arujá, as cidades do Alto Tietê destacadas pelo levantamento. O valor médio de Mogi é R$ 3.537,00.
O próprio estudo leva em consideração os preços cobrados pelos empreendimentos de venda e mostra que a procura por imóveis caiu por dois fortes fatores: a falta de estabilidade empregatícia (pelo risco de demissões nesses tempos difíceis) e as restrições na liberação de crédito.
Os juros, que elevam os financiamentos de imóveis, ultrapassam os 10,7%, de acordo com o Banco Central, fazendo com que alguns dos possíveis compradores prefiram guardar o dinheiro para render por um período.
Renan Kiyokawa, diretor da Kiyokawa Imóveis, ressalta que os preços, em geral, estão caindo. “Algumas construtoras oferecem desconto de até 35% em compras a vista. Isso porque as vendas caíram muito. A procura caiu uns 40% por aqui e as ofertas aumentaram 30% nos últimos oito meses. A nossa projeção é de que a situação se estabilize e reverta a queda apenas a partir de 2018”, analisou.
Para Marcelo Molari, CEO da Geo Imóveis, que faz o mapeamento do metro quadrado de Mogi das Cruzes e algumas localidades, os valores estimados pela Fipe não representam uma totalidade. Isso porque eles se baseiam nos preços anunciados no portal ZAP, conforme explica o método de pesquisa. “A análise mais ampla precisa separar imóveis de alto, médio e baixo padrão, o que não é feito pela Fipe. A Geo tem um levantamento mais adequado que detalha essas informações e nos permite ter uma opinião mais ampliada das coisas. É fato que o mercado sofre com a crise política e econômica. Os estoques estão cheios e as vendas em retração, com probabilidade de melhora apenas depois de anunciadas as medidas econômicas a serem adotadas pelo novo governo, caso a Dilma Rousseff seja retirada do poder. Posso falar pelo (Helbor) Ipoema. Há alguns meses, eles baixaram o preço e chegaram ao mesmo valor que estava há dois anos. Ou seja, o reajuste, que é normal quando se fala em mercado imobiliário, foi anulado. Com o armário embutido, que custa cerca de R$ 20 mil, eu paguei R$ 320 mil numa unidade. Um preço muito bom, o que mostra que, para quem tem segurança financeira e oportunidade, este é o momento para comprar imóveis”, ressaltou.
O economista Waldir Pereira Gomes, professor da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), avalia que a retração na procura por imóveis reflete a mais pura essência da crise econômica. “Os bancos ficam mais rigorosos na liberação do crédito. Numa economia de mercado, como a brasileira, os bancos comerciais não assumem riscos porque medidas de retomada consideradas ousadas devem ser adotadas por agentes públicos que conduzem o País”, destacou. (Lucas Meloni)

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