EDITORIAL

Cuidar do outro

Por detrás de frases como “não faço falta” ou “não aguento mais viver” está um pedido de socorro

Os registros de violência autoprovocada em Mogi das Cruzes confirmam a evolução das mutilações, tentativas de suicídio e de suicídio praticados por crianças e adolescentes com idades entre 5 e 19 anos, e o aumento generalizado desses registros entre as pessoas das demais faixas etárias.

Reportagem deste jornal no último final de semana sobre o Setembro Amarelo, campanha nacional de defesa à vida e de prevenção à depressão, toca em um assunto tratado como tabu que passou a ser um problema de saúde pública porque se tornou uma das principais causas de mortes e de sequelas graves entre jovens e crianças em todo o mundo.

Mais pessoas estão enfrentando os efeitos de determinados comportamento e de doenças mentais, como o isolamento social e a depressão, causas de violências físicas e psicológicas como a perda da vida autoprovocada.

O que difere o momento atual do passado é o fato de indivíduos mais novos, crianças inclusive, praticarem os atos. Permanece como antes, no entanto, a posição de famílias e núcleos profissionais e sociais de esconder e tratar entre quadro paredes essas situações por vergonha, culpa e até desconhecimento.

Entre outras coisas, o resultado de não se falar sobre esse tipo de violência, estão a subnotificação dos casos e a perda do controle das autoridades públicas sobre um fenômeno de saúde que pode custar a vida das pessoas.

Há mesmo de se ter tato e conhecimento para tratar esse drama pessoal e familiar, mas o silêncio não é o caminho indicado.

Em Mogi das Cruzes, duas conclusões da pesquisa merecem atenção de pais, educadores, gestores de empresas, etc: o encontro de crianças de 5 a 9 anos nesse grupo de risco, e o aumento surpreendente das notificações entre 2016 e 2017.

Em 2016, 47 praticaram a violência provocada (mutilação, enforcamento, ingestão de venenos ou medicamentos em excesso, e etc). No ano seguinte, foram casos, um aumento de 234% nos registros.

Há um pedido de ajuda a ser considerado por quem está ao lado de um jovem ou crianças, e também de um adulto ou idoso, que muda o comportamento, se isola. Por detrás de frases como “eu não faço falta”, “eu não aguento mais viver” está um pedido de socorro.

Além de políticas públicas, a prevenção do suicídio depende da empatia, da solidariedade humana, do cuidado com o outro. E também do acolhimento e a resolutividade dos serviços de saúde.

Outro porto seguro para mudar essa realidade é o apoio ao Centro de Valorização à Vida (CVV), organização especializada na proteção à vida, que depende dos voluntários para cumprir a belíssima missão de ouvir e encorajar quem está em sofrimento.

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