EM CARTAZ

Cultura expõe detalhes das congadas

Intitulada ‘Deus Vos Salve Esse Devoto’, mostra em cartaz no Centro Cultural de Mogi das Cruzes exibe itens dos grupos de manifestação popular da cidade. (Foto: Eisner Soares)
Intitulada ‘Deus Vos Salve Esse Devoto’, mostra em cartaz no Centro Cultural de Mogi das Cruzes exibe itens dos grupos de manifestação popular da cidade. (Foto: Eisner Soares)

Até o próximo dia 29, quem for ao Centro Cultural de Mogi das Cruzes poderá mergulhar de cabeça num dos aspectos da cultura popular, já que está em cartaz por lá a exposição ‘Deus Vos Salve Esse Devoto’, com uma coleção de itens dos oito grupos de congadas, marujadas e moçambiques da cidade. A iniciativa é da Secretaria Municipal de Cultura em parceria com a Casa do Congado local, e a entrada é gratuita.

Fazem parte da mostra um prato de porcelana pintado por AnaMarB, um quadro desta mesma artista e outro de Olga Nóbrega, uma farda de cada um dos coletivos, um vestido de rainha, duas capas de rei do Congo, 20 cliques do fotógrafo Danilo Duvilierz, três instrumentos musicais, um altar com elementos de devoção e três estandartes e banners com imagens de cada grupo, além de projeção das imagens de momentos marcantes e som ambiente com os cantos típicos.

Com tudo isso, a exposição tenta recriar a experiência de assistir a uma apresentação ao vivo destas manifestações. Ainda que não haja textos, ao andar pelo primeiro pavilhão do Centro Cultural dá para sentir a energia do movimento. E essa é justamente a intenção da organização, como conta a diretora do departamento de fomento da Cultura, Teresa Christina Vaz. “O município conta com grupos que são extremamente valiosos, expressivos e fundamentais, com grande participação na Festa do Divino, na abertura, na quermesse, na Entrada dos Palmitos e nas procissões, então é muito importante manter essa tradição”.

Quando somado ao título da mostra, este conceito pode fazer quem não conhece muito bem a iniciativa pensar que a mostra é sobre a Festa do Divino, como disseram as amigas Julia Vitória e Milena Lourenço, de 16 anos, que passaram por lá depois de fazer tarefas da escola na Biblioteca Benedicto Sérvulo de Santana, que funciona no terceiro piso do prédio. “É muito legal mostrar como essa cultura funciona, pois muita gente não sabe”, comentaram, depois de descobrir o motivo da exposição, que ostenta itens divididos por grupos, sempre com a devida identificação, que enaltece cores vibrantes e fortes.

Para Gislaine Donizete Afonso, a capitã de um desses coletivos, o de Santa Efigênia, trata-se de uma oportunidade de reconhecimento, para que “as pessoas vejam o trabalho, as vestimentas e a origem de congada”. “Com eventos assim a população passa a conhecer e dar mais valor aos grupos. Claro que existem pessoas que já conhecem, principalmente pela exposição da Festa do Divino, mas ainda têm mogianos que não sabem o que é a congada”. Para ajudar neste sentido, no mês passado foi disponibilizado um acervo digital do movimento no Alto Tietê, que já está disponível em www.mdcsp.com.br.

Na opinião de Gislaine, “deveriam acontecer mais exposições como essa”, e a Casa do Congado só não promove mais ocasiões como esta pela falta de um espaço para isso. “Quem já foi conferir pôde perceber que esta é a melhor de todas que já foram feitas, já que dispõe de telão e som”.

Quem concorda com a importância da mostra é o mogiano Henrique Alves, que passou por lá por acaso, e ao ver os itens, teve sensações nostálgicas. “Meu pai dançava em Biritiba Mirim, e aqui consigo lembrar da cultura que pude vivenciar com ele na infância. Não podemos deixar a memória dos antigos morrer, e essa é uma boa maneira de passar os conhecimentos adiante”.

Com sentimento de missão cumprida em relação ao objetivo da proposta, Christina revela que as canções que têm sido tocadas no Centro Cultural foram extraídas dos CDs originais da Casa do Congado, e que os diversos objetos que compõem o cenário e inclusive o altar, como imagens de santos, colares, uma concha e vários outros, foram cedidos pelos dançantes e integrantes dos movimentos.

É possível conferir a mostra ‘Deus Vos Salve esse Devoto’ de segunda à sábado, das 8h às 18h, no Centro Cultural, que fica na Praça Monsenhor Roque Pinto de Barros, 360, no Centro. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone 4798-6988.

Movimento possui acervo digital

Já é possível consultar canções, fotos, reportagens e outros materiais das congadas do Alto Tietê num site gratuito e aberto ao público. Trata-se do portal Memória Digital da Congada de São Paulo (MDC/SP), lançado em maio último. Para acessar é necessário realizar um cadastro simples em www.mdcsp.com.br.

A iniciativa é do atual presidente da Casa do Congado, Déo Miranda, que sempre quis criar um acervo interativo para que o público pudesse entender a história dessa manifestação em Mogi das Cruzes e região.

Desde o lançamento o site dispõe de nove discos musicais na íntegra, além de documentários, livros, revistas, reportagens e arquivos visuais de parceiros do movimento, como o fotografo Danilo Duvilierz e o professor Jurandyr Campos.

A ideia do projeto é contribuir para o reconhecimento da congada como manifestação cultural brasileira pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Segundo Déo, para que isso aconteça, todos os estados onde há algum traço desta cultura devem fazer pesquisas, que juntas terão força. “Mogi das Cruzes, enquanto maior reinado de congos de São Paulo, está fazendo sua parte”.