ARTIGO

Da fantasia à realidade

Laerte Silva

O novo coronavírus é o assunto de todos os dias nos jornais. Essa semana, o presidente Jair Bolsonaro declarou que a situação estaria superdimensionada pela imprensa. E, por ironia do destino, seu secretário de Comunicação, Fabio Wajngarten, foi testado positivo, e Bolsonaro fez pronunciamento usando máscara, pagando a língua.

China, Itália e outros países, como os EUA que acabam de proibir viajantes da Europa, são exemplos da multiplicação do vírus e deveriam fazer com que a autoridade máxima de nosso País tivesse mais cuidado com sua fala.

Leigo, obviamente não me atrevo a analisar tecnicamente nada, mas se não fosse preocupante o novo coronavírus, não teríamos tantos especialistas, em inúmeros países, tratando do assunto. No Brasil, Câmara e Senado suspenderam visitações públicas ao Congresso Nacional, como também já agiu o STF ao restringir acesso ao plenário daquela Corte. O INSS está dispensando a prova de vida dos aposentados, porque a letalidade da doença é elevada em relação aos idosos.

No Brasil, são quase 80 casos confirmados e mais de 1.400 suspeitos, admitindo o governo de São Paulo uma projeção de 460 mil casos de infecção nos próximos meses. A preocupação aqui, terra da dengue e do sarampo voltando, se dá pela carência de leitos de UTI, e pela dúvida se o SUS dará conta do atendimento.

Falta saneamento básico para muita gente. O que falar do transporte coletivo superlotado, chegando o outono e o inverno.

A população deve fazer sua parte quanto aos cuidados sanitários, pois a transmissão comunitária é reconhecida, apesar dos especialistas dizerem que muitos dos atingidos terão efeitos leves, serão assintomáticos.

Parar o País não é o caso, mas a situação também não é brincadeira.

Laerte Silva é advogado


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