CIRCUITO

Daniel Teixeira destaca o olhar juvenil da cidade e a natureza

Daniel Teixeira de Lima. (Foto: Eisner Soares)
Daniel Teixeira de Lima. (Foto: Eisner Soares)

Crianças e adolescentes de escolas municipais e estaduais vão mostrar como enxergam as intervenções do homem no meio ambiente. Está aberta a temporada de produções para a Mostra de Vídeos Ambientais de Mogi das Cruzes, marcada para o mês de junho. “A Cidade e a Natureza” é o tema da terceira edição do evento. Nesta entrevista, o secretário municipal de Verde e Meio Ambiente, Daniel Teixeira de Lima, professor e cientista social especializado em gerência de cidades, detalha a mostra. Ele também fala de temas como ‘Resíduos Sólidos’ e ‘Água e Florestas’ abordados em edições anteriores.

Por que estimular crianças e adolescentes a gravarem vídeos sobre a natureza mogiana?

Em Mogi as escolas já oferecem a educação ambiental, e quando elas colocam o estudante como agente de mudança, percebemos resultados muito mais efetivos. Participam alunos de escolas municipais e estaduais dos ensinos fundamental I e II e do Ensino Médio, e apesar de ainda não terem se manifestado, as instituições particulares também são convidadas. Hoje a linguagem muita usada pelo jovem é o vídeo. É onde eles se identificam, basta ver o sucesso das plataformas de streaming. Então o audiovisual é uma ferramenta muito útil de aprendizado, porque é preciso aprender a produzir roteiro, pesquisar, ler e escrever, num processo multidisciplinar de aprendizagem continuada.

Como a mostra funciona?

Depois de definido, o tema é passado aos alunos pelos professores. Nesta semana se encerraram as manifestações de interesse das escolas, e agora vamos quantificar o tempo que vamos precisar para análise dos vídeos, que recomendamos, tenham duração entre três e cinco minutos. Entre amanhã e 27 de março os alunos produzirão os vídeos e a apresentação será no dia 17 de junho, durante a programação Junho Verde.

Cada escola apresenta a sua própria realidade?

Sim, e isso é importante, pois serve como indicador de qual é a percepção das pessoas sobre a temática. No primeiro ano, quando falamos de resíduos sólidos, bairros rurais mostravam que o problema de recursos era no curso d’água, perto de casa, e escolas centrais apontaram a presença de descarte irregular dentro do próprio pátio, nos intervalos. Por isso, mais do que a técnica do vídeo, a mensagem que ele passa é muito importante pra gente. É o balizador do processo de mudança.

Que tipos de vídeos costumam serem apresentados?

Tem vídeos muito bacanas, como documentários e paródias, além do formato mais tradicional, de telejornal. Já recebemos um em que uma menina “viajava no tempo”, tem aqueles que fazem conversas entre amigos, enfim, tem de tudo um pouco. E no dia da mostra, a expectativa dos jovens em ganhar é muito legal e coincide com a estratégia de gamificação de toda a educação da cidade.

Qual é o tema deste ano?

No ano em que Mogi das Cruzes, uma das cidades originárias do país, completa 460 anos, escolhemos ‘A Cidade e a Natureza’. A modificação que o homem faz na natureza é constante, mas ela também o modifica. A nossa cidade nasceu por causa do Rio Tietê, e depois virou as costas para ele, então a proposta é falarmos do convívio do homem no espaço geográfico que é Mogi e de achar como e onde a gente está hoje e como a gente quer ficar. Além disso, também saber como foi ontem, para analisar os motivos das intervenções do passado.

O que é esperado a partir deste conceito?

Como a criança é esperançosa e o jovem mais crítico, ambas as faixas etárias são agentes de transformação pela inquietude, grandes mobilizadores de transformação. Queremos identificar a percepção das pessoas sobre a natureza na cidade, o que ajuda no planejamento para o futuro. Além disso, fazer com que todos percebam que as praças também são natureza, ou que separando o lixo entre orgânico e reciclável contribui-se para a redução do impacto no meio ambiente.

Em 2018, o tema da mostra foi ‘Resíduos Sólidos’. Como a cidade está em relação a este tópico?

Quanto à reciclagem, hoje damos destino correto para algo entre 5% e 6% do lixo total da cidade. A meta é atingirmos 20%, e para isso ampliamos o número de ecopontos e construiremos mais um em César de Souza, provavelmente até junho. Também ampliamos datas de coleta e modificamos a estratégia de segmentação de resíduos. Hoje, diferente do que fizemos em 2013, quando começou o Recicla Mogi, não separamos mais em várias categorias, e sim em apenas duas, o que elevou o montante coletado.

E quanto ao tema de 2019, ‘Água e Florestas’?

Nesse quesito, nosso objetivo é melhorar a entrega da água que chega ao Rio Tietê. O esgoto é um problema que não escondemos, e há 23 anos Mogi só coletava 0,5% de todo o esgoto, contra 62% de hoje. Nossa meta é, até o final do ano, atingir 70%, e o foco está nas obras do Botujuru, bairro que foi crescendo sem o devido planejamento e necessita de esgotamento sanitário assim como todo o município. Além disso, planejamos a inauguração de mais dois parques na cidade, e destacamos que os já existentes, com exceção do Parque Municipal Chiquinho Veríssimo, ficam todos na beira do Tietê, eliminando a necessidade de construirmos piscinões, já que temos estes “naturais”.

Qual é a principal demanda da Secretaria de Verde e Meio Ambiente?

Presente no novo plano diretor, a arborização é hoje uma das principais demandas. Não há nada que estejamos fazendo que não seja sistêmico, cíclico, continuado, política pública e cientificamente embasado, e por isso desde 2017 plantamos cerca de 25 mil árvores em todo o território mogiano, com expectativa de chegar em 50 mil até o final deste ano. Em nosso plano de arborização, identificamos a quantidade de árvores existentes no limite urbano, e conseguimos traçar um planejamento de cidade, não olhando só para o hoje, para o imediato, mas para a manutenção futura de Mogi.

E como está o engajamento para a manutenção do certificado Município Verde Azul, importante programa do governo do Estado?

Em 2018, pela primeira vez em 11 anos nossa cidade conquistou o certificado do programa Município Verde Azul, e no ranking referente a 2019 provavelmente vamos pegar boa posição e garantir a continuidade do certificado em Mogi. O Estado avalia mais de 120 itens, e estamos trabalhando para manter tudo o que foi conquistado recentemente, como a ampliação da coleta seletiva, a reabertura do viveiro de mudas no parque Leon Feffer, a reabertura da Ilha Marabá, a inauguração de mais um ecoponto, a reativação do Parque Chiquinho Veríssimo e do Conselho Municipal de Meio Ambiente, que passou a se chamar Conselho Mogiano de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Comoma), as modificações no Parque Centenário, o programa continuado de educação ambiental, e mais um monte de ações, como a parceria com a Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) para um estudo plano da Mata Altântica local.


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