EDUCAÇÃO

Data do Enem coincide com vestibulares

INSTÁVEL Com suspensão da aulas presenciais, disciplina nos estudos pode ser diferencial para o Enem. (Foto: divulgação)
INSTÁVEL Com suspensão da aulas presenciais, disciplina nos estudos pode ser diferencial para o Enem. (Foto: divulgação)

Em meio a manifestações na internet e até pedidos na justiça pelo adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), até o momento, o Ministério da Educação (Mec) não recuou e manteve as datas. As provas estão marcadas para os dias 1º e 8 de novembro na versão presencial e 22 e 29 de novembro na versão digital. Professora e proprietária de um cursinho preparatório em Mogi das Cruzes, Monica Arouca vê a decisão como uma falta de empatia por parte do Governo Federal e faz ainda um alerta para os estudantes.

O primeiro dia em que será realizado exame de maneira virtual coincide com a data da primeira fase do vestibular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), enquanto o segundo dia da versão digital será no mesmo dia da primeira fase da Fundação Universitária Para o Vestibular (Fuvest), responsável pela seleção dos alunos da Universidade de São Paulo (USP).

“Existem muitos erros nessa escolha de datas e não mudá-las é o pior deles. O mundo inteiro está fazendo mudanças em benefício da população e aqui nada acontece. O Ministério sabe que muita gente não vai ter a menor chance de concorrer. Até mesmo as universidades estão tentando se adaptar. A Unicamp, por exemplo, diminuiu a quantidade de livros que precisa ler para o vestibular. As atitudes precisam ser tomadas”, reivindica Monica.

Por conta da pandemia do novo coronavírus, as aulas em todo o país foram suspensas em março. Como as alterações por parte do Mec não vieram a professora orienta que os alunos que possuem condições se dediquem às videoaulas, entendendo que tudo continua como antes. Já os que não têm acesso às explicações online em tempo real podem buscar vídeos em plataformas como o YouTube.

Ainda assim, ela lembra que parte da população sequer pode acessar os serviços online em casa. Segundo dados de 2019 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 79,9% dos brasileiros tem internet em seus domicílios. O estudo, entretanto, depende de outras ferramentas, como dispositivos que suportem a reprodução de vídeos e um lugar apropriado para a prática.

“Para os alunos que não conseguem estudar pelos métodos virtuais eu aconselho que se apeguem à leitura de jornal e livro. Os métodos antigos vão precisar voltar e as pessoas vão ter de sentar e estudar como um estudante de 20 anos atrás, o que pode ser bom também. O problema é que muitas vezes os livros não são atualizados como precisam e as dúvidas ficam no ar, porque eles não têm onde tirá-las. Enfim, o momento pede resiliência e adaptação”, afirma a professora.

Outro ponto ressaltado por Monica é que materiais de apoio poderiam ter sido disponibilizados pelo Governo, que na opinião dela não tem se mostrado minimamente preocupado com a educação. Por isso, ela destaca a importância a iniciativa de voluntários que têm disponibilizado aulas gratuitas na internet e diz que também pensa em fazer isso, mas que ainda precisa se estruturar.

Até mesmo para aqueles que possuem maiores condições e estudam em escolas particulares, o momento está complicado para os estudos. É o caso da mogiana Maria Clara Barbosa de Brito, de 17 anos. Ela cursa o 3º ano no Colégio Estrutural, em Braz Cubas, e pretende usar o Enem para conseguir cursar a faculdade de Enfermagem na USP.

“Mentalmente eu achava que seria muito fácil estudar em meio à pandemia, já que passar em uma universidade é um dos meus principais objetivos. Mas como eu ajudo em casa, acabou ficando mais difícil e eu venho tentando me organizar para poder começar a estudar. Agora, eu estou de férias e continuo com um pouco de dificuldade em algumas matérias, o que me deixa um pouco preocupada agora. Acho que nunca estive com tanto medo do Enem, porque é uma grande oportunidade e uma grande responsabilidade”, frisa a estudante.

Maria Clara conta que as férias estão previstas para terminarem no dia 22 de maio, quando ela acredita que as aulas online deverão acontecer. Neste caso, ela ressalta que é importante se esforçar, já que ficar por longas horas em frente ao computador pode ser bastante cansativo, além de exigir uma atenção maior do que nas aulas presenciais.

Prazo para inscrição termina no dia 22

Iniciadas na última segunda-feira, as inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) acontecem até o dia 22 de maio. Para se cadastrar, os interessados devem entrar no site enem.inep.gov.br e preencher um cadastro com os dados pessoais. A taxa de inscrição custa R$ 85 e deve ser paga entre 11 e 28 de maio, em agências bancárias, casas lotéricas, correios ou pela Internet. Entretanto, é possível conseguir a isenção do pagamento.

Ao entrar no site, o candidato se depara com a seguinte mensagem: O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) vai garantir a gratuidade da taxa de inscrição a todos os participantes que se enquadrarem nos perfis especificados nos editais do Enem, mesmo sem o pedido formal dos inscritos. A regra vale tanto para os participantes que optarem pelo Enem impresso quanto para os que escolherem o Enem digital e se aplica, inclusive, aos isentos em 2019 que faltaram aos dois dias de prova e não tenham justificado ausência. A medida está contemplada nos editais nº 33 e nº 34, de 20 de abril de 2020, publicados pelo Inep no Diário Oficial da União do dia 22 de abril de 2020.

No site do Enem é possível ainda acompanhar todo o cronograma do processo, com as datas das próximas etapas. As provas estão previstas para acontecer nos dias 1º e 8 de novembro na versão presencial e 22 e 29 de novembro na versão digital.


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