LUIZ ANTONIO BÓS VIDAL

De baladas e eventos para a cozinha

Mogiano Luiz Antonio Bós Vidal, que já foi promotor de eventos e produtor de shows, coleciona experiências práticas em diferentes tipos de cozinha, do árabe ao mediterrâneo. Ele acaba de vencer um reality show culinário do GNT e ganha reconhecimento nacional. Seu projeto inclui a abertura de um restaurante na Cidade. (Foto: Eisner Soares)

Integrante de uma família tradicional do Distrito de César de Souza, Luiz Antonio Bós Vidal começou a trabalhar cedo, aos 16 anos, no setor administrativo da empreiteira da família. A atividade, porém, nunca lhe atraiu de fato, e por isso, na mesma época ele se viu envolvido com promoção de baladas e eventos noturnos.

Alguns anos depois, em 2005, buscando a primeira experiência longe de casa, ele se mudou para São Paulo, e começou a estudar Hotelaria na Universidade Anhembi Morumbi. Na mesma época fez um curso de fotografia, e passou a registrar campeonatos de surfe.

Mas o mogiano acabou não concluindo a faculdade. Ele também tinha interesse em estudar Odontologia, Arquitetura e Fisioterapia, mas se matriculou no curso de Jornalismo, também pela Anhembi Morumbi.

Um trabalho da disciplina de radiojornalismo levou Luiz Antonio a entrevistar humoristas, para falar sobre o stand-up comedy, modalidade ainda insipiente naquele 2008. Depois de algumas ligações ele conseguiu a confirmação de Fábio Rabin, que além de participar do programa acadêmico, o convidou para produzir shows de humor.

Foi a deixa para voltar a promover eventos, agenciando e produzindo a agenda de mais de 20 comediantes, como o próprio Rabin, Fábio Porchat, Dani Calabresa, Bruno Motta, Marcos Castro e Danilo Gentili.

Depois, em 2010, ele voltou a atuar em baladas, mas de maneira diferente: se tornou DJ. Mas este é um período que Luiz não gosta muito de lembrar, já que se envolveu com drogas. Venceu a dependência numa clínica de reabilitação.

A gastronomia entrou em sua vida em 2013. Um dia, navegando na internet, viu o anúncio de um vestibular do Senac, e decidiu se inscrever. Na verdade, ele já tinha algum contato com culinária, porém como espectador, assistindo a um amigo cozinhar, mas nunca tinha colocado a mão na massa.

Tão logo se matriculou na faculdade, em Águas de São Pedro, Luiz Antônio se mudou para lá. Após um semestre ele se afastou dos estudos, para mergulhar de cabeça em experiências práticas. A primeira delas foi num restaurante em Bonito, no Mato Grosso do Sul. A segunda foi numa cozinha árabe, em São Paulo. E a terceira o fez realizar um sonho antigo: foi morar na praia para introduzir um cardápio de peixes e frutos do mar num estabelecimento da Riviera de São Lourenço, em Bertioga.

De vola a Mogi, em 2014 ele fez um curso de especialização em sabores de boteco no Centro de Aprendizado Gastronômico (Cenag), e foi convidado para dar aulas por lá, o que fez por um ano e meio, quando passou nova temporada na Capital, dessa vez numa cozinha mediterrânea.

Luiz decidiu então que era hora de ultrapassar uma de suas metas, a de ser reconhecido nacionalmente. Se inscreveu em diversos reality shows de canais fechados, até que a equipe do GNT o chamou para o programa ‘Sabor em Jogo’, que mistura o preparo de receitas com um quiz sobre culinária.

A atração consiste em minicompetições entre três cozinheiros, e foi ao ar no início do mês. A primeira fase teve como ingrediente principal a batata, e na segunda o desafio era o bacalhau, e apesar do nervosismo, o mogiano brilhou com uma receita de peixe com pele, acompanhado por purê de pimentão com cardamomo.

Como vencedor, retomou também a carreira de professor, dando aulas no Senac, e também a de consultor, ajudando a implementar rotinas em diversos restaurantes. Essa última função, aliás, tem sido seu carro-chefe, até, pelo menos, o ano que vem, quando Luiz pretende abrir um restaurante por aqui.

Aos 32 anos, ele está cheio de projetos e energia para gastar. Além do restaurante, está prestes a estrear num programa de televisão local, e quer voltar a ter uma casa na praia, afinal, peixes e frutos do mar são sua especialidade. Quando não está trabalhando, o mogiano desenvolve seu lado artístico, pintando quadros e esculpindo formas que remetem a elementos típicos da culinária, como pratos, garfos e facas.

Curto-Circuito
Viver em Mogi é…
 ter qualidade de vida

O melhor da Cidade é… o clima de interior

E o pior? O descaso de alguns políticos

Sinto saudade de… alguns familiares que não se encontram mais aqui comigo

Encontro paz de espírito… em contato comigo, com minha família, com minha namorada, no templo budista e na natureza

Pra ver e ser visto… na praia

Meu prato preferido é… paella

Livro de cabeceira… ‘O Monge e o Executivo’, de James C. Hunter

Peça campeã de uso do meu guarda-roupa? Calças rasgadas

O que não tem preço? Viver

Uma boa pedida é… tudo que me traz paz

É proibido… não sorrir

A melhor festa é… quando completo mais um ano de vida

Convite irrecusável… viajar

O que tem 1001 utilidades? Eu

Meu sonho de consumo é… uma casa de madeira em alguma ilha deserta

Qual foi o melhor espetáculo da minha vida? O conhecimento próprio

Cartão-postal da Cidade… Pico do urubu

O que falta na Cidade? Investimento em cultura

Qual é a química da vida? Aprender algo novo a cada dia