SITUAÇÃO

De novo, perigo na Mogi-Bertioga: rodovia volta a registrar deslizamentos

Após deslizamentos de terra e pedras na segunda-feira, ainda existem riscos de novos desmoronamentos na rodovia. (Foto: Jonny Ueda/Divulgação)
Após deslizamentos de terra e pedras na segunda-feira, ainda existem riscos de novos desmoronamentos na rodovia. (Foto: Jonny Ueda/Divulgação)

O motorista que desce a Serra do Mar pela Rodovia Mogi-Bertioga (SP-98) e passa pelo km 82 concentrado na pista não consegue ver a situação do talude naquele trecho. Do lado direito, há uma grande rocha margeando a pista, enquanto na parte de cima dela, terra e vegetação desceram morro abaixo anteontem. Nesta terça-feira, a pista estava limpa, inclusive sem qualquer sinalização para o motorista redobrar a atenção. Mas a garoa que fazia quando a reportagem esteve no local já era um fator de alerta para novos deslizamentos de terra e mato sem aviso prévio. Outro desmoronamento, de menor porte, também foi registrado anteontem no km 68.

O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) esclareceu ontem que a rodovia não foi completamente interditada na segunda-feira, apenas parcialmente, para que a limpeza da pista fosse possível sem interferência no trânsito. Na ocasião, o tráfego de veículos fluiu em esquema Pare e Siga durante a tarde e os serviços de limpeza foram completamente concluídos às 19h30.

A reportagem questionou o DER se os locais foram vistoriados e se já havia alguma medida para esses dois últimos trechos de deslizamentos, mas não obteve retorno. A nota do órgão insistiu na garantia da trafegabilidade. “Sempre que necessário, como em casos de acidentes ou obras, a Operação Pare e Siga é montada com o objetivo de garantir a trafegabilidade da via e a segurança dos usuários”, traz o texto enviado a O Diário.

Por fim, o DER voltou a falar sobre o estudo de eventos geodinâmicos que consta nas respostas encaminhadas a este jornal pelo órgão há um ano, desde o primeiro deslizamento, mas que na prática não resolve o problema. “Os deslizamentos de terra aconteceram em área além da faixa de domínio estadual, nos íngremes taludes que compõem a Serra do Mar, local onde a SP-98 está inserida. Para que estes taludes fossem estudados, o DER contratou um mapeamento para avaliação dos riscos de eventos geodinâmicos. O mapeamento é gerido pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente”, finalizou a nota.

Questionado sobre isso, o Instituto Geológico informou há duas semanas que o DER apresentou o Plano de Trabalho, que está sendo analisado e deverá receber parecer para envio ao Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird), com prazo de 18 meses para execução.

Enquanto isso, em outros pontos da rodovia, era possível ver problemas no talude, como no km 76, onde homens limpavam a calçada atingida por pequenos volumes de terra que desciam naquele trecho. As corredeiras também estavam presentes em várias partes da rodovia, descendo pelo talude, como ocorreu no verão do ano passado, quando teve início a série de deslizamentos e o DER destacou o volume de água. Um ano depois, a estrada recebeu seis muros de contenção e possui um ainda em construção. Todas medidas reativas. Ontem, a Mogi-Bertioga carecia de prevenção.