EDITORIAL

De olho no futuro

“Será importante zelar agora pela expansão das Vilas Dignidade”

A Vila Dignidade de Mogi das Cruzes acolhe 18 moradores com mais de 60 anos em um programa habitacional presente em algumas cidades no Estado de São Paulo e ainda sem musculatura para atender uma demanda em expansão.

Ali, as pessoas realizam sonhos. Aos 67 anos, Terezinha José Pereira trabalhou em locais como a Cosim e a Universidade de Mogi das Cruzes, viu chegar a aposentadoria, mas não conseguiu se livrar do peso do aluguel. Desde a conquista da moradia popular, ela capricha nos cuidados com o jardim e uma pequena horta e consagra, assim, a difícil jornada de lutas e revezes pessoais como a companhia de um marido violento durante parte da vida.

Histórias parecidas estão em cada uma das casas. Moradores que viveram décadas nas ruas, pessoas que por motivos diversos estão sozinhas nessa altura do caminho.

Em Mogi das Cruzes, a fila de espera pelo teto, a segurança e a tranquilidade de se contar com vizinhos e a assistência social da Prefeitura, soma 80 pessoas com o perfil exigido para ganhar uma chave das unidades cuidadosamente pintadas de diferentes cores.

Será importante zelar agora pela expansão das Vilas Dignidade.

Na Região do Alto Tietê, apenas Mogi das Cruzes aceitou a parceria habitacional proposta pelo Governo do Estado. No Estado, a Vila da Dignidade está em apenas 17 cidades, com a oferta de 356 idosos.

Essas vilas são uma resposta à desigualdade social com tons ainda mais graves e doloridos durante a velhice, quando a dependência pelo outro se evidencia.

O projeto é uma resposta ainda tímida, mas nobre do poder público, com vantagens financeiras como a redução dos gastos com o pessoal e a estrutura das Instituições de Longa Permanência, as ILPs.

Além do aumento da expectativa de vida, a composição familiar brasileira, desenhada pela redução do número de filhos e, consequentemente, de parentes diretos, vão fazer crescer a parcela de idosos que terão de ser assistidos pelo estado no futuro.

A iniciativa da Companhia Habitacional de Desenvolvimento Urbano (CDHU) chegou a várias cidades paulistas, mas sofre com o desinteresse político, as contas apertadas dos municípios. As casas são construídas pelo Estado, mas a manutenção das vilas, após a inauguração, fica por conta das prefeituras. Prefeitos e conselhos municipais do Idoso precisam se afinar para garantir o modelo.

No Alto Tietê, apenas Mogi conta com o equipamento, o que demonstra o tamanho do vazio a ser preenchido. A Região tem 1,5 milhão de moradores. Apenas uma Vila da Dignidade para 18 pessoas.

Esse serviço público será mais necessário no futuro próximo. Em dez anos, em 2030, o Brasil terá mais velhos do que jovens e, detalhe, os cidadãos, que serão a maioria, estarão mais aptos a viverem sozinhos, diferente do passado, quando as características de quem passava dos 70 anos eram totalmente diferentes das atuais.

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