ARTIGO

De porta em porta

Gê Moraes
humoraes@gmail.com

Porta, porteira e portão se prestam a entradas e saídas a todos que vêm e vão no vem-e-vai desta vida. Dos três, porém, quem mais passantes recebe, sem dúvida é a porta. Ainda que as outras duas sejam também bastante utilizadas, não há como negar a supremacia da porta. Tomemos como exemplo uma casa popular, que por pequena que seja, tem de cinco a sete portas. E as mansões e palácios?

Deixemos as portas denotativas entregues aos que delas precisam e falemos um pouco das conotativas, ou seja, das que entram na linguagem afetiva, figurada. Podemos começar?

Você já ouviu falar de alguém que arrombou uma porta aberta? Parece coisa de zureta, não é verdade? Pois da próxima vez que ouvir isso, saiba que o fulano “quis resolver o que já estava resolvido”.

Conhece algum par amoroso que se casou atrás da porta? Há muitos deles espalhados por este mundão. Casais que optaram por uma união sem papel passado, sem o preto no branco, isto é, uniram-se em mancebia, amasiaram-se, juntaram os panos até que um desejo incontido de alçar novos voos, de experimentar novos quitutes, faça com que cada um parta em busca de novas quitandas.

Você já deu com a porta na cara de alguém ou já teve a desdita de levar a dita na cara? Ainda bem que estamos falando da porta conotativa, ou seja, quando alguém se recusa a atender ou receber alguém, pois se fosse da outra, em que o troglodita arranca a dita dos batentes…

Seria escorregar na maionese dizer que no Brasil não há quem se valha do subterfúgio de entrar por portas secretas? De conseguir algo por meios obscuros, secretos ou ilegais? É doloroso dizer, mas infelizmente é a verdade. Quem assim diz e pensa, não só escorrega no molho de gema e olho, como ainda senta na graxa, tropeça vai de quatro e dá com a cara no muro.

Já teve a oportunidade de conversar com alguém surdo como uma porta? Que tal, entenderam-se ou a experiência serviu como um proveitoso exercício de monólogo? Um abraço e até logo.

Gê Moraes é cronista