REINTEGRAÇÃO DE POSSE

Decisão judicial fecha o aeródromo de Biritiba Mirim

Cia. Agro Pecuária Fazenda e Granja Irohy, proprietárias das terras, moveram ação que levou à desativação do serviço. (Foto: Eisner Soares)
Cia. Agro Pecuária Fazenda e Granja Irohy, proprietárias das terras, moveram ação que levou à desativação do serviço. (Foto: Eisner Soares)

O Alto Tietê não conta mais com aeródromo. Após perder na Justiça uma ação movida pela Cia. Agro Pecuária Fazenda e Granja Irohy, proprietária das terras onde estava instalado o Aeroclube de Biritiba Mirim, o serviço deixou de ser prestado na cidade vizinha a Mogi das Cruzes. O processo se deu pela falta de pagamento do aluguel. Agora, os proprietários esperam pela reintegração de posse e ainda não sabem qual será o destino do espaço.

“Nós já recebemos ofertas de outros aeroclubes, mas ainda não sabemos o que vamos fazer ali, porque a área também pode ser utilizada para a agricultura e até mesmo pela mineração. Essa ação já era muito antiga, porque eles ficaram muito tempo sem nos pagar. Nós tentamos alguns acordos, que também não foram pagos, então não tinha outro jeito”, comentou Epaminondas Luiz de Amorim Neto, 59, um dos proprietários e administrador da Fazenda Irohy. Ele conta ainda que “a pista pode virar buraco”, já que no subsolo da propriedade podem ser encontradas areia e argila.

Na internet, dificilmente encontra-se alguma informação sobre o Aeroclube. As páginas na rede social foram desativadas e não existe também um site oficial. Foi desta maneira que o mogiano Lucas Estevão, 23, percebeu que talvez o local não prestasse mais serviços. O jovem fez um curso teórico de piloto privado no Aeroclube de São Paulo, no Campo de Marte. A próxima etapa seria, então, encontrar um lugar propício para voos.

“Quando um aluno termina esse curso teórico, ele logo procura um lugar para voar. Não costuma ser no Campo de Marte, porque lá é muito carregado, com muito tráfego aéreo, além das horas de voo serem um pouco mais caras. Então, busquei algo aqui na Região e vi que não tinha mais nada sobre o Aeroclube de Biritiba na internet, porque eu já sabia que ele existia e que havia uma aeronave para instrução. Mas, na verdade, caí na página da Justiça e vi o processo”, conta.

Agora, sem uma opção no Alto Tietê, o jovem conta que deverá buscar o aeródromo de São José dos Campos para a prática. Outra opção seria também em Atibaia. Estevão lamenta o fato de que a Região perde não apenas um espaço para a aviação, mas também para outras atividades, como o paraquedismo. Ele lembra que muitas pessoas costumavam vir de outras localidades para utilizar o espaço e praticar esportes.

Durante a produção de fotos para esta reportagem, a equipe de O Diário foi informada de que ainda é aguardada uma decisão da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) sobre o caso.