EDITORIAL

Demora perigosa

Poder público não entendeu, ainda, a necessidade de um Cetas

Ainda não mereceu a devida atenção do poder público municipal o aumento de uma demanda de saúde pública notoriamente em evidência com o crescimento dos atendimentos de animais silvestres vítimas de acidentes na zona urbana de Mogi das Cruzes.

O aumento da circulação de aves e mamíferos silvestres na cidade infringe uma linha geográfica importantíssima para o controle da saúde pública porque eles podem ser vetores de doenças graves como a raiva.

Gambás, cachorros-do-mato como o encontrado no estacionamento da mais movimentada rua do Distrito de Braz Cubas, nesta semana, capivaras e outros bichos que vivem na Mata Atlântica, em contato com o homem e os animais domésticos podem ser vetores de doenças, como a raiva. Isso porque eles não são vacinados.

Bem tratar das espécies silvestres feridas é exercício da medicina preventiva. Isso está claro, mas o poder público não entendeu, ainda, a necessidade de um Cetas (Centro de Triagem de Animais Silvestres). Apenas nos primeiros seis meses desse ano, 100 animais foram capturados após acidentes como atropelamentos, quedas ou colisões com obstáculos como fios e postes.

Estes argumentos são desconsiderados por Mogi. A presença de uma unidade especializada no atendimento e acompanhamento desse fenômeno traria um outro beneficio estratégico para o controle ambiental – a melhoria do fluxo do atendimento nos enxutos órgãos de proteção do meio ambiente como a Polícia e a Delegacia de Crimes Ambientais e o próprio Corpo de Bombeiros – que prestam esse tipo de socorro, e poderiam ter seus recursos humanos e materiais empenhados em outras demandas técnicas.

Com mais áreas protegidas e a preservação da fauna e da flora, o contato com os animais silvestres que perderam áreas naturais para a caça, alimentação e reprodução será mais intenso no futuro. O que eleva a responsabilidade no manejo dos animais feridos ou não.

Os casos de febre amarela – que não são provocados pelos macacos, mas podem ser sinalizados por eles – deixaram claro como o controle de zoonoses tem papel importante na saúde pública.

Só não viu isso, ainda, quem tem o poder de decisão nas casas do Executivo e Legislativo – e até do Judiciário – que podem agir e pressionar pela conquista do Cetas.

Essa vacilo pode custar caro para todos. E não será por falta de aviso e nem de evidências, como o encontro de mais um animal machucado, o cachorro-do-mato que estava no centro de Braz Cubas, tão bem clarifica

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