Dependência química

A dependência química tem na fragilidade das políticas públicas, no alto custo e na longa duração do tratamento seus maiores desafios. O relato de uma das mães do Grupo Amor Exigente, que se reúnem todas as quartas-feiras, na Catedral de Santana, publicado na edição de domingo, pinta um duro retrato das dificuldades vividas pelo portador da doença que atinge 15% da população mundial e impacta a vida dos familiares dele.A O Diário, uma das fundadoras do Amor Exigente de Mogi das Cruzes, detalhou os graves prejuízos provocados pela insuficiente rede de atendimento pública e pela ausência do estado na criação e execução de políticas de saúde e sociais para acolher a uma parcela da população, em geral, formada por jovens e adultos em idade produtiva.
Sem poder contar com serviços médicos e de saúde mental para atendê-los, os pais e viciados precisam recorrer a clínicas particulares, muitas vezes, estabelecimentos precários ou que cobram altíssimos valores por internações – uma medida paliativa, usada durante surtos, e nem sempre eficaz, como atestam alguns estudos sobre a dependência do álcool e de outras drogas.
A Região do Alto Tietê replica o que se vê no restante do País. Não há um Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (Caps-AD), que funcione 24 horas. Em todo o Brasil, são menos de 60. A única clínica pública para internações breves funciona de maneira insuficiente no Hospital Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcanti, em Jundiapeba.
Os pais têm na internação uma alternativa, quando se tornam reféns de violência e agressões praticadas por filhos, em situação de descontrole. Um pai ou mãe, afirma Valdete de Siqueira, nunca expulsa o filho de casa. Chegam a isso na defesa da integridade física e mental.
Aos pais, restam as opções particulares, nem todas com a estrutura mínima necessária para um tipo de tratamento que exige terapias que unam a psiquiatria, psicologia, nutrição e terapia ocupacional.
Há um grande vazio no setor. Os serviços públicos de saúde mental funcionam com pouquíssimos psiquiatras. A espera por consultas chega a levar anos. E o mais desesperador é que, quando as autoridades são cobradas, prometem o que não conseguem cumprir. Entre o discurso e a realidade de quem vive a dependência química há uma enorme distância.
Por fim, a urgência do assunto. Quando indagada sobre o avanço da dependência química entre jovens e adultos, Valdete replica a pergunta: quem não possui, na família ou no ciclo social mais próximo, um dependente químico?


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