CECAP

Depois de quase fechar as portas, Centro Cultural Antonio do Pinhal anuncia novas atividades para 2020

MOVIMENTO Cursos de dança e de instrumentos de corda fazem parte da agenda do Cecap, que também promove leilões, bingos e outras ações. (Foto: divulgação)
MOVIMENTO Cursos de dança e de instrumentos de corda fazem parte da agenda do Cecap, que também promove leilões, bingos e outras ações. (Foto: divulgação)

Em novembro, O Diário noticiou a possibilidade do fechamento do Centro Cultural Antonio do Pinhal (Cecap). Dois meses mais tarde, este jornal volta a falar do espaço, desta vez para comunicar a continuidade das atividades, como aulas de capoeira, dança de salão, desenho de mangá e violão, que estão com inscrições abertas.

O arquiteto, proprietário do casarão que serve como sede entre as ruas Boa Vista e a antiga Rio Grande e curador da iniciativa, Paulo Pinhal, confirma que a intenção era de realmente paralisar o projeto. Mas o apoio da sociedade mogiana o fez mudar de ideia. Agora, fechar as portas “está fora de cogitação”.

“A gente está recebendo tanta ajuda das pessoas que gostam do Cecap, que fazemos o possível para não fechar. Estamos com um bazar, que de certa forma está andando, e também um bingo. Isso sem contar o empenho dos professores, que criam oficinas e outras ações”, diz ele, que é enfático ao definir: “vamos continuar abertos e resistindo a não ter verbas públicas”.

Mas se a casa enfrenta problemas financeiros, editais públicos não seriam uma saída? Para Pinhal, não. “Se pegar todos os territórios culturais que tivemos por aí, os produtores culturais e artistas costumam ser péssimos administradores”, fala, para iniciar um argumento.

Neste momento, o arquiteto cita não só o fim da Corporação Musical Santa Cecília, mas também o fechamento do Casarão da Mariquinha e do Galpão Arthur Netto, perdas que abalaram a cultura mogiana em 2019, para opinar: “com recursos públicos, entra-se numa zona de conforto e de expectativa por projetos. Não é o que queremos”.

Segundo ele, o que o Cecap quer – e precisa – é tirar do papel várias ideias, algumas ousadas, como buscar dinheiro no exterior, por exemplo. Também há projetos mais “pé no chão”, como jantares, corridas e outros eventos a fim de obter algum recurso.

É preciso lembrar, porém, que a entidade não tem fins lucrativos, e mais do que sobreviver, busca promover benefícios à sociedade, principalmente depois da ajuda recebida no final do ano passado. Exatamente por isso os cursos, como o de dança e o de desenho de mangá, sortearão bolsas nos próximos meses.

“Esse é o nosso agradecimento para as coisas que acontecem e nos deixam bastante emocionados, como um monte de doações que recebemos de alguém com quem nem temos relação direta”, diz Pinhal, feliz por manter a casa de pé.

A felicidade tem, na verdade, mais um motivo. Pinhal conta que foi “proibido” pela própria família de continuar investindo dinheiro próprio no espaço. Ele aceitou o conselho e decidiu realmente não mais salvag3uardar o Cecap como fazia, mas segue promovendo várias ações com o objetivo de angariar fundos.

Ou seja, além dos já citados cursos de dança, de instrumentos de corda e de desenho, a entidade prepara aulas de fotografia e plantas ornamentais, além do retorno dos saraus, o que acontece já no próximo dia 31, com uma “mistura de linguagens diferentes, como rock, bolero, samba, poesia, e piada”.

Tudo isso sem falar dos bingos, agora programados para acontecer sempre no segundo domingo de cada mês. O primeiro, porém, excepcionalmente fica para o dia 1º de fevereiro, das 15 as 17 horas. Duas horas em que “se conhece as pessoas e há oportunidade de contar histórias, conversar e enriquecer bastante em conhecimento”.

Além disso, com a continuidade do Cecap, o Colégio dos Arquitetos, uma empresa de Pinhal, também permanece ativo, e inclusive com novidades. Depois do sucesso de um curso 100% online e gratuito, “História da Arte Do Século XX”, a próxima novidade será uma aula em formato “live”, ou seja, ao vivo pela internet.

Haverá ainda um leilão de artes produzidas por moradores da região e muitas outras novas apostas. Mais informações estão disponíveis em www.pinhal.org. A expectativa é que 2020 seja “bem melhor que o ano passado”, já que “mesmo se não tiver dinheiro” a garantia é de seguir “inventando coisas e exposições”. “Tenho a convicção de que o Cecap não é mais meu. É da sociedade. E vai durar enquanto ela quiser”, encerra o curador.


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