Deputados da Região votam a favor do impeachment

Em meio a homenagens a pais, mães, filhos, amigos e afins, os deputados ligados à Região do Alto Tietê, Keiko Ota (PSB), Guilherme Mussi (PP) e Roberto de Lucena (PV) cumpriram o que haviam prometido e votaram favoráveis ao impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). A surpresa ficou por conta de Márcio Alvino (PR), que até os 45 minutos do segundo tempo se manteve fechado em copas, para só então manifestar-se pelo “sim”, depois de fazer referências à sua Cidade, Guararema, à sua mãe, e à Região de Mogi das Cruzes. O voto contra Dilma não foi à-toa. Nos últimos dias, suas páginas nas redes sociais foram entupidas com mensagens de eleitores do Alto Tietê cobrando dele uma posição e o voto pelo impeachment. Mais do que isso: enquanto ele mantinha um inexplicável silêncio a respeito de sua posição em relação ao tema da votação, faixas eram estendidas em ruas e praças de Mogi, na Cidade de Guararema e até defronte à sede mogiana do PR e depois mostradas na internet, exigindo dele uma manifestação pública a respeito de como ele pretendia votar. Márcio manteve o silêncio até o fim e logo após seu voto, assessores se encarregaram de divulgar nas redes sociais uma foto estilizada do parlamentar sorridente, com a inscrição: “Impeachment – Votei Sim”. Foi o voto número 178 a favor do impeachment, com o “sim” já à frente. Por essas e outras, ainda é cedo para saber os efeitos políticos que o silêncio do deputado ainda poderá lhe trazer. O certo é que houve unanimidade nos votos do Alto Tietê pró-impeachment, o que demonstra certo alinhamento de pensamentos em relação ao governo da presidente Dilma, independentemente da coloração partidária de cada um deles.

COTIDIANO

Envolto na bandeira do Brasil, o espectador solitário assiste à  votação do impeachment pela Câmara, no telão da Praça Oswaldo Cruz / Foto: Eisner Soares
Envolto na bandeira do Brasil, o espectador solitário assiste à
votação do impeachment pela Câmara, no telão da Praça Oswaldo Cruz / Foto: Eisner Soares

FRASE

O Brasil continua. Somos maiores que Brasília. Daqui a pouco é acordar cedo e trabalhar.

Marco Bertaiolli (PSD), prefeito de Mogi, na madrugada de ontem, logo após a votação pró-impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT)

 

Faturando
Mal terminou a votação na Câmara Federal, o deputado estadual Marcos Damásio (PR) postou o seguinte, numa rede social, junto com sua foto: “Todos os deputados de meu partido, o Partido da República, no Estado de São Paulo, votaram a favor do impeachment”.
Cara-pintada
A edição extra da Revista Veja, que circulou ontem, no dia seguinte à votação em Brasília, traz na capa uma linda jovem com o rosto pintado nas cores verde e amarelo, as mesmas da Bandeira Nacional, que está ao fundo. O belo trabalho é resultado do talento e competência de um mogiano, o fotógrafo Lailson Santos, que começou sua carreira em O Diário.
Mogianidade
Só para lembrar: um dos autores da denúncia que resultou na votação pelo impeachment da presidente Dilma é o advogado mogiano e ex-petista, Hélio Bicudo. Ele foi autor da denúncia juntamente com outros dois advogados, Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal. Apesar de nascido em Mogi, Bicudo nunca demonstrou grande interesse pela Cidade.
Memória
“Pelos valores que herdei de meu pai, pela minha Região de Mogi das Cruzes e pelo povo do Estado de São Paulo. eu voto ‘sim’”. Este foi o voto dado em 29 de setembro de 1992, em favor da cassação do presidente da época, Fernando Collor de Mello, pelo único representante do Alto Tietê, à época, na Câmara Federal, o deputado Valdemar Costa Neto, à época, no PL. Ele foi o voto 406 a favor da oposição, que precisava de 336. “Ajudamos a virar uma página negra da história deste País”, disse ele, em seguida, numa entrevista a este jornal.


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