Desafio urbano

A TV Diário mostrou um flagrante de pichação registrado pelas câmeras de monitoramento de Mogi das Cruzes, no final de semana. Nas imagens é possível ver o esforço de dois pichadores para rabiscar a fachada de uma bomboniere, no cruzamento das ruas Dr. Corrêa e Otto Unger, na região central. Um dos rapazes equilibra-se perigosamente em cima do ombro do outro para pichar a parede. Em seguida, os dois partem tranquilamente por alguns metros, mas são surpreendidos momentos depois, na Rua São João, por guardas municipais. Após serem ouvidos pela Polícia, foram liberados, mas terão de comparecer ao Fórum para prestar as explicações à Justiça.Apesar de existirem leis mais rígidas, que preveem pena de detenção para esse tipo de vandalismo, por se tratarem de menores, o que costuma acontecer é o juiz arbitrar alguma compensação social por meio de uma prestação de serviços, como a pintura de muros.
Mesmo que os pais sejam chamados à responsabilidade, a maneira como esse tipo de desvio de conduta e infração é trabalhada pela sociedade e a legislação atual não surte efeitos mais práticos no combate à depredação de um patrimônio público ou privado. O mesmo ocorre com outros casos semelhantes de vandalismo.
Comumente, os prejuízos da prática são lembrados muito mais por uma questão estética urbana do que social e humana. A primeira percepção que se tem é a da Cidade mais feia, suja, deteriorada, desprotegida desse tipo de violação. Além da poluição visual, há um fator que não sensibiliza a coletividade e confirma um descaso com o que está acontecendo hoje com uma parcela da população jovem – é uma parcela pequena, diga-se de passagem, porque a maior parte dos jovens não picha e nem vandaliza a Cidade.
Em 2013, um jovem de 15 anos morreu eletrocutado ao tentar pichar as paredes de uma pizzaria também na região central, chamando a atenção para um dos aspectos que trás das pichações. As imagens do flagrante dessa semana, guardadas as proporções, revelam alguns dos riscos a que estão os integrantes dos grupos que duelam entre si, nas redes sociais, em busca de um reconhecimento, independente do que isso vier a custar a eles próprios.
Desde a morte do adolescente, alguns projetos conseguiram unir grafiteiros, o poder público e a iniciativa privada e registram a arte urbana de maneira exemplar, em muros como os da CPTM. Mas, a pichação, uma atividade não autorizada e perigosa, segue como um grande desafio.


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