EDITORIAL

Desafios ambientais

A destruição da natureza é notada pelos sentidos

As serras do Mar e do Itapeti dão condições privilegiadas para a qualidade de vida em Mogi das Cruzes. Pertencentes à Mata Atlântica, elas possuem grandes áreas verdes responsáveis por criar uma blindagem natural para a cidade e asseguram propriedades vitais para o homem -ar, água, o conforto término, a filtragem dos poluentes, a beleza cênica.

Esses dois paredões verdes abrigam espéceis da fauna e da flora sequer classificadas pela ciência, o que os tornam ainda mais raros por estarem onde estão, praticamente no limite de uma grande área de conurbação urbana, cujo centro é São Paulo, a mais populosa capital da América.

Além das duas serras, e também por causa delas, Mogi tem rios e córregos interessantes na composição do que se transforma o Rio Tietê após cruzar o limite entre a cidade e Biritiba Mirim e apresentar os primeiros sinais declínio com o recebimento das altas cargas de esgoto doméstico.

Mogi ainda pode se considerar uma cidade bem servida desses recursos naturais, se olhar para a vizinhança. Porém, são grandes os desafios para se preservar o que muitos lutaram até conservar até aqui, como a própria Serra do Itapeti, que se transformou em Área de Proteção Ambiental (APA).

Os alertas de especialistas e ativistas ambientais reunidos em nossas reportagens publicadas ontem, no Dia do Meio Ambiente, traçam um perfil crítico e preocupante sobre as atuais condições desses ecossistemas.

A destruição da natureza é notada pelos sentidos. Os sentidos dão um fiel diagnóstico a qualquer cidadão do que não vai bem e será preciso mudar, como bem ilustrou a bióloga Nadja Soares, da ong Bio-Bras. Ela, aliás, prega algo urgente: o lixo zero.

Basta olhar para a Serra e entender o que diz o professor Pedro Tomasulo a respeito da ocupação do sopé da Serra do Itapeti, onde bairros avançam mata adentro, trazendo consigo estradas, construções imobiliárias, linhas de transmissão de energia e a monocultura e, junto a isso, danos como o aumento da emissão dos esgotos domésticos, o grande inimigo do Rio Tietê e seus braços. Para sentir a morte do rio, basta respirar próximo de sua margem.

As mudanças climáticas, a escassez de recursos naturais – a água, o mais flagrante deles são de responsabilidade de todos os que viraram as costas para os rios, as serras, a natureza, como disse José Arraes. Poder público e sociedade organizada.

Protocolo ou utopia, como escreveu o morador Décio Rodrigues Lopes em um artig sobre a poluição das nascentes do Parque Morumbi, o dia do Meio Ambiente é todo dia. A natureza não manda recado, ela se adapta e reage aos maus-tratos afetando a vida de quem pode apagar o passado, novamente olhar de frente para ela e mudar o que não vai bem: o homem.