ARTIGO

Desencontros da vida

Gê Moraes
gemoraes@gmail.com

Ela veio lá do infinito do seu sonho mais bonito. Veio para fortalecer sua fé e para dar um novo sentido à sua vida. Portadora da esperança, ela veio colocar as cores da perfeição na tela do seu coração e, para sua fome saciar, ela veio lhe trazer o maná. Mas, sabe o que aconteceu? – Ele não estava lá.

Ela veio lhe ofertar seu amor, seu bem-querer, muita paz, muita ternura, abundância e muita fartura. Veio lhe trazer mil estrelas para que ele pudesse vê-las, quando a noite fosse má. Contudo, outra vez mais… Ele não estava lá.

Ela veio como a flor na primavera do amor, como a chuva benfazeja que a planta anseia e deseja. Como mensageira da alegria, ela veio para espairecer a tristeza que reinava em sua vida e o levava a viver como quem vive ao deus-dará; todavia, ainda dessa vez… Ele não estava lá.

Sabe aquela gotinha do orvalho matinal com jeitinho de cristal? Pois bem, ela quis lhe dar de presente, acompanhada dos encantos e da magia que se fazem presentes nas rimas duma poesia. Ela veio para que ele pudesse ter num segundo, toda a ventura do mundo. Será que você é capaz de imaginar o que foi que ocorreu? – Pensando que ela não mais viesse, ele saiu de lá e se dirigiu para cá, a fim de poder encontrá-la, porém, achá-la não achou, visto que mais uma vez e – depois dessa, nunca mais – ela foi ao seu encontro – E ele…

Ah, quão tristes e deprimentes são os desencontros desta vida. Quantas conseqüências funestas eles provocam. Quantos castelos primorosos eles colocam por terra. Quantos amores, revestidos de primores e de encantos mil, eles fazem fenecer.

Quantas canções apaixonantes e apaixonadas, compostas com muito esmero e carinho, que alguém gostaria de interpretar para alguém, e deixam de ser cantadas por conta dos padrões politicamente incorretos e das terríveis incongruências, contradições e incoerências dos desencontros da vida.

Tomara esteja você lá, quando ela vier lhe procurar.

Gê Moraes é cronista