EDITORIAL

Desligaram o radar

Noventa dias é um prazo adequado para um governo, que se diz célere, decidir sobre a construção de um heliponto em hospital público? Obra simples, não custosa e que teria o condão de salvar vidas. Sabe-se lá quantas!

Pois foi no dia 21 de maio, estamos a 17 dias de completar os 90: no Palácio dos Bandeirantes, o governador João Doria reuniu parte da imprensa do interior do Estado para ouvir, tendo ao lado diversos de seus secretários, as demandas de cada região.

De nossa parte, na busca de reivindicações práticas e de viabilidade a curto prazo, perguntamos a Doria sobre o heliponto do Hospital Luzia de Pinho Melo. Lembramos que a unidade é referência no Alto Tietê e que, em várias ocasiões, socorreu feridos em acidentes nas rodovias do entorno. As vítimas foram trazidas a Mogi em helicóptero da Polícia Militar que cumpriram, em menos de 10 minutos, o trajeto até o heliponto do Corpo de Bombeiros. E que – inacreditavelmente – tinha-se que fazer o transbordo para uma ambulância que demoraria cerca de 20 minutos para chegar ao hospital.

Diga-se qualquer coisa acerca de João Doria, menos que ele não seja antenado. E foi utilizando esta característica de sua personalidade, que o governador aprovou de imediato a postulação, passando a bola para Alberto Hideki Kanamura, secretário adjunto de Saúde do Estado, que estava ao seu lado. Kanamura confessou que desconhecia qualquer reivindicação nesse sentido mas que, palavras suas “o tema está a partir de agora em nosso radar”.

A nós, atentas testemunhas do dia a dia da cidade que nos acolhe há mais de 60 anos, é constrangedor saber que ninguém, pessoa ou instituição, tenha levado esse pleito ao novo governo. Não falemos dos passados, afinal, todos prometeram o heliponto.

Falemos do presente: nenhum dos deputados regionais, a se fiar nas palavras de Alberto Hideki Kanamura, encaminhou a demanda do heliponto à Secretaria de Saúde do Estado. Nem eles, nem a Câmara Municipal de Mogi, tampouco a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina, gestora da unidade.

Nós a encaminhamos, no dia 21 de maio, e recebemos a garantia de que estaria “no radar”.