DIA DO MEIO AMBIENTE

Desmatamentos ameaçam a Mata Atlântica

ALERTA Cobrança por crimes como o desmatamento é uma das garantias para a preservação de matas, como a Serra do Mar. (Foto: arquivo)

Vinte e quatro horas antes do Dia do Meio Ambiente, a pressão das entidades que defendem as matas nativas e também do Ministério Público Federal surtiu resultado: o ministro que cuida da pasta no âmbito federal, Ricardo Salles, recuou e revogou o decreto que anistiava multas por desmatamento e queimadas praticadas desde 2008. Para pesquisadores e organizações do setor, além de invalidar os crimes do passado, essa legislação abria precedente para que o país continuasse a perder parte da Mata Atlântic. Hoje, são preservadas apenas 12,4% das áreas com três ou mais hectares deste bioma, segundo levantamento da fundação SOS Mata Atlântica.

O secretário do Verde e Meio Ambiente de Mogi das Cruzes, Daniel Teixeira de Lima, avalia que a celebração de hoje não deve ser só de festa. Deve-se, sim, comemorar o avanço sobretudo na legislação de preservação ambiental no Brasil, considerada por ele uma das mais modernas do mundo, mas o dia é para considerar a ameaça que ficou muito próximo de ser concluída por uma determinação governamental. Teixeira diz ser “triste” ver que o ministro quis se aproveitar do momento em que diversas pessoas morrem pela pandemia do novo coronavírus para modificar conquistas da luta ambiental. Em uma reunião ministerial, Salles sugeriu que a crise sanitária seria um motivo para se aproveitar para “passar com a boiada” e revogar medidas preservacionistas.

Por outro lado, o titular da pasta municipal considera que, neste momento, Mogi mantém a luta pela preservação e cita que a aprovação do Plano Municipal de Educação Ambiental anteontem na Câmara Municipal, um trabalho de mais de três anos, que entende que a conscientização ambiental deve ir além de portões da escola.

Ele defende que o Plano Municipal deve ser prática constante, nos caráteres formal e informal, transpassando matérias didáticas e resultando na mudança de atitudes.

“A gente tem procurado deixar legados de políticas públicas permanentes, para que a sociedade se conscientize. Então quando a gente tem diversos planos, conselhos, ações permanentes de plantio de mudas. Com isso a gente está dizendo que a questão ambiental é persistente. Nós estamos dando segurança às áreas ambientais, no mesmo tempo em que o governo federal tenta desmantelar”, pontua.

O estudo mais recente da SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) coloca Mogi das Cruzes como o segundo município da Região Metropolitana do Estado de São Paulo que mais perdeu área de Mata Atlântica entre 2017 e 2018. Mauá está no topo do levantamento com a redução de 14 hectares. Em seguida aparece Mogi, com a perda de 11 (ha).

Para o secretário, não há uma ameaça maior em determinada área da mata, então o cuidado deve ser destinado a toda a região. Com áreas mais próximas das zonas urbanizadas, os cuidado aumentam para que os resíduos sólidos não sejam despejados na mata.

“Hoje o maior problema são as queimadas aos pés da serra. A nossa secretaria de Segurança tem a Patrulha Rural para conter invasão em área de preservação, e vale dizer que no eixo Sul nós temos a área rural, que não paga imposto a Mogi, mas nem por isso nós deixamos de atuar nessas áreas. O prefeito Marcus Melo ressalta que é tolerância zero para invasão em Mogi das Cruzes”, destaca o secretário.

Está agendada para o próximo dia 25 uma live entre o Corpo de Bombeiros, a Fundação Florestal e as 12 cidades do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) para tratar sobre queimadas e incêndios florestais. Além disso, Mogi das Cruzes realiza o Junho Verde, pelo quarto ano consecutivo, mas desta vez com a maior parte da programação on-line.


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