HISTÓRIA

Dia da Independência lembra passagem de D. Pedro por Mogi das Cruzes

SÍMBOLO Bandeira Teria sido deixada em Mogi, que hora está no Museu Visconde de Mauá. (Foto: Eisner Soares)
Bandeira teria sido deixada por D.Pedro, que dormiu em Mogi das Cruzes antes de proclamar a Independência. (Foto: Eisner Soares)

Uma das datas mais importantes para a história do país, a Independência do Brasil, celebrada hoje, passou também por Mogi das Cruzes. Isso porque Dom Pedro esteve na cidade tanto na ida quanto na volta de sua viagem ao Rio de Janeiro. Por aqui, ainda restam dúvidas de onde ele possa ter dormido, mas a comprovação desta passagem fica por conta de uma bandeira deixada pelo português, que também assinou dois decretos na antiga Casa da Câmara e Cadeia, instalada onde hoje funciona a Escola Municipal Coronel Almeida.

“Existe uma história um pouco controversa, tem um relato que ele dormiu no coreto do Carmo e uma outra vertente que diz que ele dormiu no sítio São João, em César de Souza. Essa segunda versão não é comprovada, é apenas uma tese porque o último integrante da guarda que acompanhou a comitiva, que era Salvador Leite Ferraz, morava no sítio, então, por isso ele teria dormido lá. Salvador foi incorporado à comitiva dele aqui em Mogi, e este sítio estava no caminho entre a cidade e o Rio de Janeiro”, relata Luiz Miguel Franco Baida.

O mogiano é arquiteto e urbanista e, em paralelo às histórias das construções da cidade, sempre gostou de estudar o passado do município. Por isso, buscou detalhes sobre a passagem de Dom Pedro. Ele frisa que à época as comitivas deixavam escrituras nas localidades pelas quais elas passavam, o que não aconteceu com o grupo do português, que não deixou registros escritos, mas que, em compensação, abandonou a bandeira.

Este, talvez, já fosse um indício do afastamento entre Portugal e Brasil. “Quando ele passou por aqui já estava tentando apaziguar as províncias de São Paulo e as províncias de Minas Gerais, em um Brasil que já estava querendo independência. Em Mogi, ele assinou dois decretos e um deles era destituindo o governador das armas em São Paulo. Ou seja, ele já estava providenciando a independência do Brasil”, contou Baida.

Por isso, ele acredita que ter abandonado o artefato por aqui foi um ato simbólico de rompimento de laços com Portugal, já que este era um elo entre os dois países. Um “mito” em torno desta passagem do primeiro imperador do país pelo município é o de que ele teria dormido no Casarão do Carmo, o que seria impossível, segundo explica o arquiteto e urbanista. Isso porque o imóvel é datado de 1860, quase 40 anos após a Independência.

Hoje, a Bandeira Imperial, do século XVIII, pode ser vista no Museu Visconde de Mauá, que funciona no Casarão do Carmo. Ela fica na última sala do prédio, protegida por vidro e iluminada por luzes baixas, para que não sofra ainda mais as consequências do tempo.

O 7 de setembro

A história da Independência do Brasil é permeada por uma série de exigências por parte de Portugal, que recebeu muitos “nãos” do ainda Dom Pedro. Durante o Período Joanino, que ocorreu no país entre os anos de 1808 e 1821, foram implantadas medidas modernizadoras no Brasil. Neste meio tempo, em 1815, o Brasil deixou de ser colônia, sendo elevado a Reino Unido. Com a Revolução Liberal do Porto iniciada em Portugal, no ano de 1820, os portugueses pediam o retorno do rei, Dom João VI.

Com a volta do soberano à Europa, Pedro foi colocado como regente do Brasil. Agora, as cortes portuguesas exigiam a revogação das medidas implantadas no Brasil e o retorno do príncipe. Foi quando mais um dia marcante na história do país aconteceu, em 9 de janeiro de 1822, quando o português declarou que não cumpriria as ordens e ficou por aqui.

Em maio de 1822, os ministros brasileiros instituíram o chamado “Cumpra-se”. De acordo com tal medida, qualquer ordem vinda de Portugal só poderia ser cumprida com a aprovação prévia do príncipe regente. O grito de “Independência ou Morte!” teria, então, acontecido no dia 7 de setembro de 1822, às margens do Rio Ipiranga, em São Paulo. Depois disso, em 12 de outubro de 1822, Dom Pedro foi aclamado imperador e no dia 1º de dezembro de 1822, ele foi finalmente coroado D. Pedro I.