GLÁUCIA COUTINHO

Dicas para quem busca emprego

Gláucia Coutinho fala sobre o mercado de trabalho e dá dicas para quem busca emprego. (Foto: Eisner Soares)
Gláucia Coutinho fala sobre o mercado de trabalho e dá dicas para quem busca emprego. (Foto: Eisner Soares)

Servidora pública há 23 anos, Gláucia Coutinho já passou por diversos departamentos da Prefeitura de Mogi das Cruzes. Ela já atuou no cartório eleitoral, foi diretora na Secretaria de Desenvolvimento e também secretária do ex-prefeito Junji Abe. Também atuou no gabinete do hoje deputado federal Marco Bertaiolli (PSD), quando este estava à frente da administração municipal. Aliás foi ele quem a convidou, em 2013, para assumir a diretoria do Emprega Mogi, departamento que desde 2011 cadastra e encaminha gratuitamente o munícipe para vagas de emprego na iniciativa privada e pública de toda a região. Este currículo faz com que Gláucia esteja habilitada a analisar o mercado de trabalho local que, segundo ela, tem mostrado reações positivas, traçar um perfil de quem está em busca de emprego e dar dicas importantes para os candidatos.

Como está o mercado de trabalho em Mogi?

O cenário do país muda constantemente, e o de Mogi também. Quando uma empresa se instala na cidade surge uma demanda naquela área, como está acontecendo agora com a construção civil, setor que assim como a indústria tinha sofrido com a crise e agora está voltando. Em 2015 e 2016 sentimos muito a crise, mas em 2017 e 2018 os números do Caged já mostraram que essas áreas reagiram, e são elas que fazem girar o comércio e que atraem novas empresas para cá. Exemplo disso são os últimos três meses, em que já empregamos um total de 922 munícipes, sendo 15 com algum tipo de deficiência, então estou bastante otimista para o restante do ano.

Nesse cenário de crise, o número de microempreendedores individuais (MEIs) aumentou na cidade?

Como o brasileiro não é acomodado, arregaça as mangas e corre atrás do que precisa, nos últimos anos os MEIs cresceram muito em Mogi. Muitas pessoas que perderam o emprego começaram a pensar o que poderiam fazer, e descobriram habilidades como a de mexer com cabelos, e abriram o salão, ou a de cozinhar, e começaram a vender brigadeiros, bolos, ovos de páscoa, cachorro quente. Apesar disso, o regime CLT, com registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS), ainda manda por aqui.

Então empreender é uma tendência?

Acho que sim, apesar de que, no meu ponto de vista, o trabalho intermitente, aprovado em 2017, não pegou por aqui. As empresas que me procuram não tem ofertado essa vaga, preferindo trabalhar com a CLT. Ainda assim há algumas áreas, como a arquitetura, que tem procurado contratos de pessoa jurídica, visando eliminar responsabilidades trabalhistas, contratando um fornecedor que emite nota fiscal no lugar de um funcionário. Resumindo, por enquanto é um movimento ainda pequeno e tímido.

O que o Emprega Mogi faz?

O Emprega Mogi é um departamento vinculado a Secretaria Municipal de Desenvolvimento que faz intermediação de mão de obra, serviços relacionados à Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) e habilitação do Seguro-Desemprego. Ou seja, encaminhamos pessoas à vagas de trabalho, e temos programas para colocar jovens no primeiro emprego, para inserir pessoas com deficiência no mercado e também de capacitação e preparação, abordando temas como a postura na hora da entrevista, a elaboração de currículo e o autoconhecimento.

Como funciona esse trabalho de orientação?

Fazemos orientações básicas durante o atendimento, mas temos uma equipe de capacitadores no projeto Time do Emprego, que tem o objetivo de orientar e preparar o trabalhador na busca de um emprego compatível com seus interesses, habilidades e qualificação profissional. Formamos turmas com cerca de 30 participantes, disponibilizamos material de apoio e realizamos 10 encontros com eles. Depois, fazemos um acompanhamento, e essas pessoas tornam-se muito mais preparadas. Antes do treinamento, a assertividade era de 1 para 10 encaminhamentos, número que diminui muito com essa capacitação.

Por que os candidatos demoram a ser contratados?

Muitas vezes a pessoa está indo em várias entrevistas mas não consegue emprego e não sabe onde está errando. As vezes ela tem capacitação técnica mas não tem a parte comportamental, o que é importante, porque o que observamos no mercado de trabalho é que as pessoas entram para trabalhar numa empresa pela competência técnica, mas acabam sendo mandadas embora por problemas de comportamento, relacionamento, resiliência, paciência e colaboração.

Quais são as falhas mais cometidas por aqueles que procuram um emprego?

As falhas são das mais variadas e não são cometidas só por jovens, como também senhores, que aparecem vestidos de maneira inadequada em entrevistas, usando bermuda, chinelo e boné, por exemplo. Por mais simples que seja a vaga pleiteada, existe uma formalidade, e os homens devem ir de camisa e as mulheres evitar o uso excessivo de maquiagem. Outros problemas comuns são o uso excessivo de gírias e falar mal do ex-emprego.

As empresas buscam pelo candidato nas redes sociais?

As redes sociais são um recurso moderno que pode fechar muitas portas. As empresas fazem varreduras nelas, buscando “exagerismos”, polêmicas, pensamentos e comportamentos excessivos, como exposição de pensamentos políticos não respeitosos, bebedeiras, baladas e outros posts que possam ser ofensivos. É claro que todos temos temos liberdade de expressão, mas orientamos que as publicações respeitem a todos e utilizem do bom senso.

É possível traçar um perfil do usuário do Emprega Mogi?

Atendemos pessoas entre os 16 e os 55 anos, de ambos os sexos, das mais variadas classes econômicas e de todos os níveis de escolaridade. Sempre incentivamos os candidatos a estudar, pois a maioria das empresas exige, além da experiência técnica e prática, ensino médio completo. Temos também quem já empreendeu e hoje busca se recolocar no mercado de trabalho. Enfim, atendemos a todos, e os números confirmam isso, pois em 2017 Mogi ficou na 23ª colocação das cidades que mais geraram empregos no país.

Qual dos três endereços do Emprega Mogi tem mais movimento?

Todos os três pontos foram pensados de maneira estratégica, mas a unidade do Terminal Estudantes, onde eu fico, recebe mais pessoas, por estar num local de fluxo maior, em que as pessoas descem do ônibus e já seguem para o atendimento. Outro motivo é que ali é o único ponto em que fazemos o projeto Jovem Cidadão e o Seguro Desemprego, que exige uma máquina auditada pelo Ministério Público. No último mês, recebemos 2094 pessoas no Terminal Estudantes, 1387 no Terminal Central e 533 no CIC de Jundiapeba, totalizando 4014 atendimentos. E temos um banco de dados com 51 mil currículos cadastrados.

Outras cidades da região têm serviços como este?

Nos municípios do Alto Tietê há departamentos conhecidos como Postos de Atendimento ao Trabalhador (PATs) e balcões de emprego, mas o diferencial do Emprega Mogi é justamente a forma mais humana de acolhimento, com muita orientação gratuita. É o resultado de nosso atendimento hospitaleiro, com sorriso no rosto, e a junção de um sistema do Governo do Estado com um próprio, desenvolvido pela TI da Prefeitura.

Como diretora do departamento, você tem parcerias com outras áreas da prefeitura?

O que eu acho muito bacana em nossa administração pública é a relação de parceria que há entre as secretarias. No meu departamento tenho relação com todos os outros setores, mas em especial com o Crescer, que qualifica as pessoas para o mercado de trabalho e mais recentemente com o Polo Digital, que veio para inovar com as startups.

Qual o maior desafio de seu cargo?

A responsabilidade de ajudar as pessoas, as famílias. As vezes recebo pessoas chorando, dizendo que estão perdendo a casa e os parceiros devido a brigas pela falta de dinheiro. Alguns homens ainda pensam têm de ser o provedor do lar, e sofrem muito pela falta de trabalho. Ou seja, é muito gratificante poder ajudar a todos.

E o maior desafio do Emprega Mogi?

Sempre empregar mais pessoas. Mas para isso infelizmente dependemos do mercado, do país e dos investidores externos, que precisam acreditar no Brasil para injetar dinheiro por aqui. Nos últimos tempos esses investidores têm se afastado, considerando que temos estamos sofrendo muito com as prisões recentes de dois ex-presidentes e outros fatores.