EDITORIAL

Dilema antigo

O médico recebe o pagamento no final do mês, com ou sem atendimento prestado

Há dificuldades em se reduzir os prejuízos gerados pela falta do paciente às consultas médicas na rede pública de saúde. O principal gargalo é: não se consegue reorganizar a agenda das unidades básicas a partir da ausência no dia da consulta, o que concorreria para minimizar os danos sociais e nos cofres públicos.

O médico recebe o pagamento no final do mês, com ou sem atendimento prestado. Na outra ponta, ao faltar a uma consulta, o usuário do Sistema Integrado de Saúde (SIS) interrompe o ciclo formado pelo diagnóstico, tratamento e cura de uma doença.

Quanto mais o indivíduo demora para cuidar da saúde, mais caro custa o atendimento médico e hospitalar para o poder público. O desafio é descobrir a causa dessa situação. Desinformação? Falta de entrosamento e diálogo entre o paciente e médico?

O descompromisso é um traço negativo do comportamento do paciente com a própria saúde. Mulheres costumam ser mais cuidadosas, mas também encorpam os números desafiadores. Elas vivem mais do que eles porque descobrem e tratam mais rapidamente das doenças. Elas usam mais a rede básica, e também faltam muito às consultas.

Desde a implantação do SIS, a Secretaria Municipal de Saúde passou a ter ferramentas para identificar melhor o rombo causado pelas faltas. Em julho, 7,7 mil pessoas marcaram, mas não compareceram ao posto de saúde, o que representa uma média de 22,8%. Foram 33.979 consultas agendadas.

A Prefeitura tem agido para reduzir os prejuízos, com a implantação de sistemas de aviso por telefone e mensagens via Whatsapp. Mas, o problema prossegue.

Em algumas especialidades, os índices são bem maiores, e exigem intervenções pontuais para se descobrir a causa desse descontrole. Na odontologia, 69% mogianos não deram continuidade ao tratamento. Na sequência estão puerpério (44%), pediatria (30%) e o retorno na pediatria (29%) e ginecologia e obstetrícia (28%).

Preocupa o descompromisso apresentados por pais e mães: somadas a primeira e a segunda consulta ao pediatra, a média dos faltosos chega a 59%.

Além do esquecimento e o desinteresse, uma das causas desse problema é a demora entre o agendamento e a realização da consulta. Algo que também acontece na rede particular onde o enxugamento de estruturas penaliza o paciente.

Na rede municipal, entender os motivos que levam as pessoas faltarem tanto será o diferencial na proteção à vida e ao combate ao desperdício do dinheiro público. Todos perdem com essa situação.