Dinamismo garante mudanças no comércio de Mogi, segundo entidades

Comportamento do consumidor está em constante mudança e lojas precisam acompanhar. (Foto: Eisner Soares)
Comportamento do consumidor está em constante mudança e lojas precisam acompanhar. (Foto: Eisner Soares)

Nos momentos de crise, como os vividos nos últimos três meses devido à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), podem surgir oportunidades em meio às dificuldades econômicas enfrentadas nos diversos setores. A avaliação é da Associação Comercial de Mogi das Cruzes (ACMC) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas(Sebrae).

O presidente da ACMC, Marco Zatsuga, pontua que ao mesmo tempo em que há fechamento de lojas, ocorrem aberturas, como por exemplo, a de uma rede de cosméticos/higiene na região central. “Há vários fatores de mercado que precisam ser considerados tanto quando ocorre o fechamento como na abertura de estabelecimentos. Entre eles, a tendência de consumo, localização e modernização. O comportamento do consumidor está em constante mudança e as lojas precisam acompanhar a evolução. As vendas eletrônicas devem continuar em alta após a pandemia e as lojas físicas, para se manterem, precisarão se adaptar a esse novo momento”, conclui.

Ele ressalta que o fechamento de comércios é o reflexo mais duro da crise econômica desencadeada pela pandemia. Para um setor que acumulava perdas e que, com base na tímida retomada registrada a partir do segundo semestre do ano passado, projetava recuperação só para 2021/2022, a imposição da quarentena foi desastrosa e fatal àqueles estabelecimentos que já vinham com mais dificuldades.

“O prejuízo é geral, mas há segmentos que lidam melhor com a crise que outros, da mesma forma que existem estabelecimentos com situações de caixa mais confortáveis que outros. O atual momento pode ser fatal para quem já vinha com dificuldades por razões diversas, a começar das sucessivas perdas do poder de consumo que a população acumulou nos últimos anos”, pondera o presidente da ACMC, Marco Zatsuga, que lamenta o fechamento de estabelecimentos tradicionais da cidade, conforme mostrou O Diário no último domingo, e acredita que somente no segundo semestre, dependendo de como evoluir a processo de saída da quarentena, será possível dimensionar melhor os impactos da pandemia e projetar possíveis cenários.

Segundo o Sebrae, que orienta empreendedores com dúvidas ou dificuldades para manter os negócios na crise, os empresários devem focar em cinco ações prioritárias: inovar nas vendas, proteger o caixa da empresa, (re)negociar com clientes e fornecedores, entender seus direitos nas medidas anunciadas, e conhecer o crédito certo para a empresa. “Eles servem como uma ‘boia de salvação’ nesses momentos turbulentos e enfocam as prioridades, estando todas, à sua maneira, ao alcance dos empresários partirem para a ação”, explica Sérgio Gromik, gerente regional do Sebrae-SP. Estes estão no Programa Enfrentar do Sebrae-SP (https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ufs/sp/programas/kit-de-enfrentamento-programa-enfrentar,e78a16433a6c1710VgnVCM1000004c00210aRCRD?c=enfgov).

“Cada um deve ver qual delas podem ser ou já foram implementadas e os efeitos positivos. E, principalmente, trazer a retomada gradual das atividades econômicas para sua agenda, protocolos de funcionamento e oportunidades que estão surgindo com o futuro estágio de normalidade, impacto positivo para logística, saúde, higiene e limpeza, por exemplo”, diz Gromik, destacando que não como avaliar de forma geral o fechamento de comércios em Mogi, pois se tratam de casos individuais com trajetórias próprias. “De qualquer maneira, o atual ambiente volátil, incerto, complexo e ambíguo é desafio a todos os empresários. Não tem precedentes e afeta, em termos de oportunidades e ameaças, todos os tipos de negócios, dos mais tradicionais aos mais inovadores”, analisa.

Cartilha do Sebrae orienta retomada

A orientação do Sebrae é para que os empresários tenham um olhar na situação atual – desafios com vendas e geração de caixa, que variam conforme o tipo de serviço – e com os preparativos para retomada, também de acordo com o segmento de negócio e as fases permitidas. Nesse ponto, do retorno das atividades, o Sebrae tem um trabalho de apoio aos empreendedores com o lançamento da cartilha de Retomada de Atividades, lançada na semana passada e com a inclusão de conteúdos segmentados, inclusive ‘lives’, sem custo aos empreendedores.

Segundo o gerente regional, Sérgio Gromik, de forma geral, não há uma recomendação que deve ser seguida por todos e a todo tempo. Cada caso deve ser avaliado e analisado, já que a indústria é distinta do comércio que, por sua vez, tem lógica distinta do agronegócio. “Temos clientes que adotaram medidas com maior ou menor grau de sucesso. O que tem sido comum a todos é que movimentos que visam acessar novos mercados, parcerias, colaboração, transformação digital e foco naquilo que de fato gera valor e relacionamento com os clientes devem permanecer como práticas permanentes nos negócios”, revela.

Ele explica ainda que medidas governamentais, como o adiamento do pagamento do Simples, foram planejadas para o enfrentamento inicial dos impactos da crise e devem ser conduzidas de acordo com a realidade de cada negócio. “No começo, a maior demanda era por informações sobre crédito e vendas. Hoje vemos os empresários mais atentos por buscar ajuda para a retomada. Importante destacar que é fundamental agir com cautela, evitando excessos e conhecer da melhor forma possível os efeitos que cada ação gera na empresa, no aumento de vendas, redução de gastos e satisfação dos clientes”, conclui.

Ajuda dos pequenos na flexibilização
(Silvia Chimello)

O Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio) de Mogi das Cruzes e região preparou uma série de ações para orientar e dar suporte aos donos dos estabelecimentos a fim de evitar problemas nesse início de flexibilização da economia. No primeiro dia de retomada das atividades, anteontem, representantes da entidade fizeram a distribuição de kits de materiais de proteção, cartazes, materiais gráficos para ajudar as lojas menores a se organizarem. O trabalho é realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Econômico.

A entidade, uma das que mais pressionou os prefeitos da região para acelerar a reabertura, promoveu estudos, com a colaboração da Prefeitura e de outras organizações, definiu protocolos de conduta para esse período, disponibilizou na internet as cartilhas com imagens sobre as normas estabelecidas para cada um dos setores, abriu cursos de capacitação a respeito de prevenção da Covid-19 em diversas áreas de negócios.

A nova cartilha é específica para cada situação, com ilustrações para cada tipo de situação. Uma das recomendações é para que as lojas com 10 ou mais funcionários utilizem termômetro para aferição de temperatura de funcionários e clientes, e caso seja acima de 37,5º C deverá ser vetada a entrada. Recomenda também o uso de tapete de higienização; não exceder 20% da capacidade de lotação da loja; orienta sobre as vendas pelo sistema delivery e método para retirada do material ou atendimento com hora marcada

A Prefeitura e Sincomércio fizeram a distribuição de máscaras, entregaram cartazes para serem fixados nas lojas com as regras que devem ser adotadas nos locais e as cartilhas, e materiais gráficos que sobre as medidas de prevenção contra a doença.

Tudo está sendo feito de forma planejada e organizada, segundo o presidente do Sincomércio, Valterli Martinez, para que a retomada das atividades aconteça de forma segura, permitindo que todo o Alto Tietê possa avançar com a flexibilização sem riscos de aumentar o número de infectados. Ele nem cogita a possibilidade de regredir nesse processo de mudança de fase do Plano São Paulo da fase laranja, flexibilizada, para a vermelha, de atenção máxima.

“Todos estão preocupados em fazer as coisas certas. Os estabelecimentos estão atendendo com toda a segurança possível, porque todos têm o mesmo receio, e sabem que, se não trabalhar direito, a região pode voltar para a faixa vermelha”, reforça Martinez, lembrando ainda que o Sincomércio oferece cursos online gratuitos sobre assuntos que envolvem a Covid.


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