ABANDONO

Distrito de Sabaúna em Mogi das Cruzes, espera obra há 10 anos

ABANDONO Operação tapa-buraco não soluciona problema deixado por obra mal feita no passado. (Foto: Eisner Soares)

Quem mora em Sabaúna se empolga ao contar as histórias do distrito e falar da vida rural a poucos quilômetros do centro da maior cidade do Alto Tietê. Mas há alguns assuntos espinhosos e revoltantes para a população do distrito. Uma demanda antiga e tratada com descaso pelo poder público é a qualidade do asfalto da estrada Romilda Pecorari Nor, a popular Estrada Velha de Sabaúna. Parte do pavimento foi embora com a água que corre na pista porque não há calçada e tampouco rede de esgoto. Além disso, não há sinalização vertical e nem horizontal, em meio aos buracos e remendos na pista.

Quem conta bem a história de mais de uma década é a ex-presidente e hoje conselheira da Associação Amigos de Sabaúna, Cleide Soares. Ela lembra que a obra foi feita a toque de caixa, ao final do mandato do ex-prefeito Junji Abe. “Em alguns meses a estrada estava pronta, sem canteiro e sem nada. Disseram que aqui só passava jegue mesmo. Agora, a situação está tão caótica que na chuva da última semana, as pessoas que estavam vindo de carro para cá tiveram que voltar para César e vir por fora (a avenida Francisco Rodrigues Filho)”, conta.

O acesso é ladeado por moradias e sítios, além da estrada de ferro. Ele conta a história do distrito e da cidade de Mogi das Cruzes. No passado, as rotas seguiam o curso dos rios. Para ligar São Paulo ao Rio de Janeiro, as estradas passavam ao lado do Ribeirão Sabaúna. “É por lá que passam as rotas da Luz e do Frei Galvão, mas não existe nenhum cuidado para receber os moradores e os turistas”, pontua Cleide.

Proteger o Ribeirão Sabaúna, inclusive, é uma demanda atual dos moradores. Joanice Marques Messias, de 55 anos, mora há cinco décadas na Estrada Velha de Sabaúna. Nos últimos quatro anos, afirma, não viu mais nenhuma obra de desassoreamento do rio. Para sair do pequeno vilarejo, ela precisa passar por uma ponte que improvisou com tubos e pedras, com a ajuda dos vizinhos, mas a estrutura está cheia de mato, galho e terra. Ela teme ficar ilhada com as chuvas deste verão.

“A água vem com tanta força, que a gente tem medo até de levar alguém daqui. Os tubos estão afundando com tanta pedra dentro. A gente aqui paga cerca de R$ 7 mil de IPTU. Será que a prefeitura não poderia ao menos limpar o córrego?”, questiona.

Nilton Jorge Messias, de 58 anos, também reside na mesma vila há quatro décadas. Enquanto ele conversava com a reportagem de O Diário, um carro da prefeitura passou e um senhor que estava dentro gritou “eu não esqueci de você”. Segundo o morador, era o administrador regional, que prometeu fazer a limpeza do córrego. “Já tem tanto tempo que a gente vem pedindo isso. A gente quer mesmo que saia da promessa e verdadeiramente limpem, porque a nossa pontinha aqui não vai aguentar por muito tempo”, pontuou.

Cleide Soares afirma que no passado a justificativa da Prefeitura para não fazer o desassoreamento do ribeirão era a falta de máquinas, mas no começo deste ano, o maquinário foi comprado, e agora a resposta é a de que o serviço não é autorizado pelos órgãos de proteção ao Meio Ambiente. “Se ele já foi limpo outras vezes, por que agora não pode mais?”, indaga

Reforma da estação está parada

FUTURO Plano após reforma da estação de trem é atrair turistas. (Foto: Eisner Soares)

Outra situação de abandono em Sabaúna é a antiga Estação Ferroviária. Em setembro do ano passado, o prefeito Marcus Melo (PSDB) esteve no distrito e assinou a ordem de serviço para a reforma e adequação do prédio. Será criado um museu no espaço, além de um ambiente com atrativos para o turismo, como palco para shows, espaço de convivência e parquinho para as crianças. A previsão era de que essa fase começasse ainda em outubro daquele ano, com término previsto em seis meses, com orçamento em R$ 405 mil, sendo R$ 385 mil do Governo do Estado, por meio do convênio Município de Interesse Turístico (MIT), e o restante de contrapartida da Prefeitura.

No entanto, a ex-presidente e conselhiera da Associação Amigos de Sabaúna, Cleide Soares, diz que no período apenas o piso da calçada foi retirado e alguns conduítes instalados. “Falaram para a gente que em janeiro do ano que vem a obra será retomada. A estação carrega tanta história do município, para ficar nessa situação”, lamenta.

Em nota, a Prefeitura de Mogi informou que cerca de 5% do cronograma foi executado e que, atualmente, a obra está reprogramada, aguardando um aditivo de recursos, porque durante os trabalhos foi identificada a necessidade de troca do madeiramento do telhado.

“Este trabalho não estava previsto no orçamento inicial e o recurso para a sua execução vem sendo solicitado. Assim que o aditivo for liberado, os trabalhos de revitalização do espaço terão continuidade na seguinte sequência: retirada da estrutura e telhas da cobertura existente, instalação da nova estrutura de madeira e telhas cerâmicas e instalação de condutores de águas pluviais”, detalhou a nota enviada a O Diário. O prazo de conclusão das obras é de julho de 2020.

Secretaria diz que realiza manutenção

Sobre a Estrada Romilda Pecorari Nor, a Estrada Velha de Sabaúna, a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos informa que faz manutenções periódicas na estrada, com serviços como Tapa-Buraco e limpeza. Porém, em especial no período de chuvas, a estrada costuma registrar problemas. A solução definitiva para a via só seria possível mediante um grande projeto de drenagem e pavimentação, que requereria um alto investimento. Vale lembrar que a estrada serve como uma alternativa de ligação entre os distritos de César de Souza e Sabaúna, uma vez que a ligação oficial é feita pela Rodovia Mogi-Guararema.

A respeito do córrego, a Administração Regional de Sabaúna já fez o monitoramento completo da situação e pediu apoio para a realização de serviços de melhoria. Há, contudo, restrições ambientais, que impossibilitam a execução dessas melhorias. Por isso, a Secretaria de Serviços Urbanos, em parceria com a Defesa Civil, está solicitando uma autorização junto à Cetesb e a Polícia Ambiental, para que trabalhos de melhoria no escoamento possam ser feitos. Esse trabalho está sendo realizado com todos os córregos da cidade que dependem de licenciamento ambiental para a realização de obras e registram problemas de transbordamento.


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