EDITORIAL

Divino nos bairros

As festas nos bairros estão cada vez mais parecidas com a maior, a de Mogi

Um dos fenômenos da música católica, o padre Antonio Maria é uma das atrações hoje, no primeiro dia da Festa do Divino Espírito Santo de Biritiba Ussu. Com milhares de seguidores em seus perfis nas redes sociais e currículo prestigiado como uma apresentação para o papa Franscisco e shows com Roberto Carlos e outros nomes da música, a presença do padre cantor na agenda em um dos distritos rurais de Mogi das Cruzes reforça tendência anotada nos últimos anos na descentralização dos ritos de louvor e devoção ao Divino Espírito Santo.

As festas nos bairros estão cada vez mais parecidas com a maior, realizada na Catedral de Santana e no Mogilar. Os louvores ao Divino e a Petencostes sempre aconteceram. Mas passaram a ser incrementados por agendas grandiosas, como a vinda convidados como o padre Antonio Maria, e a repetição do que visibiliza a Festa do Divino de Mogi.

Em datas móveis, programadas para não coincidir com a celebração maior, a da Diocese e da Associação Pró-Festa do Divino, as comunidades paroquianas Braz Cubas, César de Souza e Sabaúna produzem versões menores, mas potentes na atração de participantes.

Os distritos seguem os passos do que deu certo em Mogi. E obtém esse resultado porque para além da questão religiosa, os eventos promovem a convivência entre os moradores, o entretenimento, a oportunidade de se reviver tradições que movem a narrativa afetiva das comunidades. Por isso, o crescimento do público, em torno dos ritos religiosos e folclóricos, as alvoradas, a folia do Divino, o sempre aclamado afogado nas barraquinhas da quermesse e até a Entrada dos Palmitos.

A descentralização é incentivada pela Diocese. Há duas semanas, em uma conversa promovida por O Diário sobre o presente e o futuro da Festa do Divino com festeiros e organizadores do evento, a tendência foi comentada pelo padre Diogo Shishito. Uma das reflexões dele foi sobre o papel das festas na igreja. Segundo ele, o clamor das festas não muda a rotina anual das paróquias, porém, com elas, a Igreja acolhe seguidores que não frequentam missas e os ofícios católicos.

Além de fortalecer a presença nos bairros, as festas são um meio de capitalizar as paróquias. A Festa do Divino de Mogi é fundamental para as obras sociais mantidas por duas dezenas de entidades, e também ajuda a manter a Diocese. O resultado financeiro deste ano deverá ser usado na preservação do Casarão dos Avignon, localizado na Faculdade Paulo VII.