PERFIL

Dr. Paulo Frontin, uma das ruas mais democráticas de Mogi das Cruzes

ESPAÇO CONCORRIDO A rua Dr. Paulo Frontin é um corredor comercial valorizado que atrai grande público em datas festivas. (Foto: arquivo)

Um dos endereços mais antigos da cidade, o calçadão da Paulo Frontin é um corredor comercial muito valorizado na área central. A pequena via que liga duas praças públicas, antigamente servia como passagem entre as principais igrejas da cidade: Matriz e Rosário, local onde as pessoas passeavam depois das missas. Hoje, o trecho ainda mantém prédios históricos e continua sendo um ponto de referência dos mogianos, palco para as grandes festas religiosas e espaço para manifestações populares. Possui grande variedade de lojas e serviços. Quase todo o trecho é exclusivo para pedestres.

A via, apesar de ser uma das menores de Mogi, tem o ponto comercial mais valorizado do centro, com diversidade de lojas de roupas, calçados, artigos infantis, religiosos, livraria, museu, lanchonetes, bares, padarias, farmácias, agência bancária, óticas e joias, salão de beleza, perfumaria, clínicas odontológicas, galeria, lojas populares, prédios públicos, entre outros.

No primeiro quarteirão, a partir da rua Rodrigues Alves, ao lado da Catedral de Santana e do museu do Divino Espírito Santo, é o mais tranquilo. A falta de movimento nesse trecho acabou provocando o fechamento de vários pontos comerciais.

PARA TODOS Alberto Seixas está estabelecido há 30 anos na Paulo Frontin e considera um dos pontos mais democráticos da cidade. (Foto: Elton Ishikawa)

Os prédios são antigos e muitos deles mantidos com a estrutura original, como é o caso da loja de produtos religiosos. Para valorizar o ponto, o proprietário Johnny Alves Rodrigues conta que decidiu promover uma espécie de restauração do prédio, mantendo as suas características, inclusive com as floreiras na parte externa da fachada.

“A nossa intenção foi preservar o patrimônio e manter viva a memória da cidade. Acho que valeu a pena, porque chama a atenção e atrai as pessoas”, observa. O único senão é que o local só é movimentado em dias de missas e eventos religiosos.

No quarteirão seguinte tem a praça Monsenhor Roque Pinto de Barros, em frente ao Centro Cultural, e a praça Coronel Almeida, conhecida como largo da matriz, onde são realizadas as manifestações religiosas, quermesses de festas e outros eventos. No espaço tem alguns comércios ambulantes e a feira do rolo. Muitos jovens e adolescentes também usam espaço para atividades musicais, como as batalhas de rimas. À noite se transforma em pista de skate.

Quem acompanha de perto toda a movimentação é o dono da banca de jornal instalada na praça, Alberto Seixas. Ele conta que está lá há cerca de 30 anos e acha que a Paulo Frontin é um dos pontos mais democráticos da cidade, por onde passa todos os tipos de pessoas. “A rua é um ponto de referência na cidade. Todos conhecem esse trecho”, diz. Ele gostaria que a região tivesse mais opções de estacionamento para melhorar a circulação e atrair mais pessoas, que hoje preferem fazer compras no shopping pelo conforto”, compara. Ele também acha que a Prefeitura deveria se preocupar mais com a questão da limpeza da praça.

Ao lado da praça está instalada uma das padarias mais antigas de Mogi, construída em 1938. A gerente Isabelle Daianny Aires disse que tem clientela fixa. “Mesmo sendo centro e local de muita circulação, tem pessoas que vem aqui todos os dias, conta suas histórias e a gente acaba virando amigo”. Ela conta que o maior movimento são os dias em que tem missa e festas religiosas.

O comércio atende a um público diversificado. A rede Tranzação, por exemplo, conta com três lojas na via, com produtos diferenciados. A gerente Neuma Bandeiras acha que é o melhor ponto da cidade. “Na rua, a pessoa encontra de tudo no que se refere a loja, além de ser um local seguro, limpo e tranquilo”.

DE BIKE Eduardo Nakashima cresceu na rua onde está a bicicletaria da família e acompanhou as transformações ocorridas por lá. (Foto: Elton Ishikawa)

Outro ponto muito tradicional na Paulo Frontin é a loja de bicicleta comandada por Eduardo Nakashima, que representa a terceira geração da família. Ele conta que desde pequeno frequentava a loja e cresceu na rua. Acompanhou as transformações, assistiu a uma grande rotatividade de comerciantes no trecho. “Temos uma clientela antiga e muitos amigos que fazem questão de parar para conversar. Não me incomodo com a questão do trânsito, até porque acho que o melhor mesmo é estimular o uso da bicicleta como meio de transporte alternativo, ideal para Mogi”.

A via termina no Largo do Rosário, espaço usado para manifestações populares, políticas, artísticas e feiras como a do livro. É ponto descanso das pessoas que fazem compras no centro e frequentado por moradores antigos da cidade. “Venho aqui todos os dias. Temos um grupo de amigos que se encontra aqui para relembrar as histórias do passado e os bons tempos da juventude, quando saía para passear com as namoradas e fazer o footing (um passeio a pé) entre as duas praças”, conta Francisco José de Lima Oliveira, de 85 anos.

Prédio escolar é referência no Estado

Nas últimas décadas, a rua Paulo Frontin foi reurbanizada e passou por transformações. Foi a primeira a ser transformada em calçadão. A cidade chegou a discutir alguns projetos para o local. Um deles foi cogitado pela Associação Comercial que no final dos anos 90 queria valorizar mais o espaço. A ideia era cobrir o trecho de rua para dar um aspecto de shopping center, utilizando o modelo implementado na cidade de Curitiba (PR). Teve ainda sugestão para construir outra praça no trecho central.

Nenhum deles prosperou e a Prefeitura nunca mais aventou a possibilidade de mudar a rua. Houve apenas uma intervenção início dos anos 2000, a reurbanização do Largo do Rosário, apesar de não ter sido executado tudo o que estava no projeto. Mesmo assim, ela se destaca em relação às demais. É arrumada, com floreiras e tem iluminação especial.

A Paulo Frontin também tem seu valor histórico. O trecho consta nas imagens e mapas antigos de Mogi, desde os seus primórdios, quando era conhecida como rua Direita. Lá estão dois patrimônios importantes na história da cidade. Um deles é abriga uma das primeiras escolas construídas na cidade, em 1901, a Coronel Almeida. O prédio mantém as características originais, o único exemplar da arquitetura escolar paulista do início do século XX na cidade. Projeto do arquiteto José Van Humbeeck.

O outro é a Catedral de Santana, erguida no local onde estava a primeira capela do povoamento. O prédio foi construído em 1902 em homenagem à padroeira da cidade. Sofreu um desmoronamento. Foi reconstruída em 1953, inspirada na arquitetura romana dos primeiros templos cristãos.

Engenheiro da Central do Brasil fez melhorias

HOMENAGEM Paulo Frontim determinou melhorias a Mogi. (Foto: reprodução)

O engenheiro Paulo Frontin não era mogiano e nem residia em Mogi das Cruzes. Mesmo assim foi homenageado com a denominação de uma das principais ruas da cidade por conta dos inúmeros melhoramentos que fez pela cidade.

Os livros de história relatam que ele ficou muito conhecido em Mogi e toda região na época em que atuou como diretor da Estrada de Ferro Central do Brasil. Era considerado uma grande personalidade e quando veio a Mogi em 21 de Junho de 1912, para visitar a estação ferroviária da cidade, determinou que fosse macadamizado todo pátio da estação, além de autorizar a ampliação dos seus armazéns.

Por esse motivo, Paulo Frontin sempre foi recebido com festa pela população quando esteve novamente em Mogi, um ano depois, em viagem ao Rio de Janeiro. Meses após, o engenheiro comprometeu-se a autorizar mais um trem de subúrbio para capital, bem como paradas dos trens rápidos nas estações de Sabaúna, Suzano e Poá.

Por conta dessa nova benfeitoria para Mogi, o diretor da Central do Brasil foi, tempos depois, homenageado pelos mogianos com um grande almoço. Em seguida, acompanhado por grande multidão, dirigiu-se todos para a antiga rua Direita. No local foi descerrada a bandeira que cobre uma placa mudando o nome da via para rua Dr. Paulo Frontin.

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