ARTIGO

Drible de corpo

Gê Moraes
humoraes@gmail.com.

Uma coisa com a qual não concordo nem morto é o financiamento público de campanhas eleitorais.

– E qual é a razão de tamanha aversão pela existência de um fundo que abastece os cofres das agremiações políticas desta nação que você vive a dizer que ama de coração?

– Você tocou no ponto nevrálgico da questão. É exatamente por dedicar tanto amor a esta terra cheia de vida, mas extremamente carente de quem dela cuide com amor, sem a desabrida voracidade de exaurir o leite das suas dadivosas tetas. Pergunto: de onde vêm os fundos que suprem tal fundo?

– Respondo: vem de recursos particulares e públicos, conforme dispõe o artigo 38 da Lei nº 9.096/95, a chamada Lei Orgânica dos Partidos Políticos.

– Muito bem! Grana vinda de particulares, nada contra, cada um faz o que bem entender com aquilo que é seu, mas com o dinheiro público, aí já são outros quinhentos. Recursos do erário devem ser carreados para fortalecerem as energias de setores vitais que trazem benefícios aos cidadãos que para isso contribuem com substancial parcela dos seus ganhos, em forma de pesadas cargas tributárias atiradas aos seus costados que chegam a fazer com que os coitados fiquem alquebrados bem antes que a idade chegue.

– Quer saber duma coisa? Você acaba de me convencer a jogar no seu time. Analisando friamente a questão, concluo que é sua a razão. Onde é que já se viu usar o nosso suado e rico dinheirinho para financiar candidatos e partidos políticos, quando a saúde, a segurança e a educação estão aí a clamar por socorro, exauridas, quase em fase terminal?

– Viu companheiro, porque torço o nariz em face de tal cheiro? E ademais, alguém poderia me dizer se há necessidade da existência de tantos partidos políticos? Se correta estiver minha contagem, atualmente o Brasil tem mais de 30 partidos registrados no TSE. No meu modo de ver, considero que essa tropa seja grande demais para desfrutar das benesses de um só campo.

– Mais uma vez concordo com a sua colocação. Também não vejo razão para tanta aglomeração, quando se sabe que os interesses de cada um, certamente, não estão voltados para a nação, conforme os exemplos que saltam por aí como milho na pipoqueira.

– Bem, o tema é amplo e sobre ele ainda há muito a ser dito, contudo o nosso espaço é restrito. Assim sendo, sugiro darmos um drible de corpo e tocarmos a bola no sentido do gol que se acha logo ali. E vamos em frente, senão, de repente…

Ge Moraes é cronista