EDITORIAL

Duras lições

De 2016 para 2017, o número de pessoas mortas em decorrência de acidentes de trânsito amentou 100% em Mogi das Cruzes, segundo o Infosiga, plataforma de monitoramento da violência nas ruas e avenidas. Neste ano, filhos, netos e familiares enterraram duas vítimas da mesma causa, com uma semelhança. As duas eram mulheres, com mais de 80 anos e estavam em vias de tráfego pesado. Ivone Leandro da Silva foi atropelada por uma moto na Rua Ipiranga, a poucos passos da casa onde residia; Albertina Medeiros por um carro na Manoel de Oliveira, em frente ao Hospital das Clínicas no Mogilar.

Preservar a vida das pessoas tem colocado em xeque o modo de viver nas médias e grandes cidades brasileiras porque a mobilidade urbana se transformou em uma grande interrogação para a sociedade e a gestão pública. São mais carros e motos (em Mogi, numa proporção de 1 veículo para cada dois habitantes) e bicicletas, e também mais distâncias a serem percorridas entre a casa das pessoas e o mundo fora dela.

A morte trágica em frente de casa ou a caminho de um hospital diz muito sobre quanto falta para a segurança e a paz no trânsito. E também sobre o imobilismo dos dias atuais. Muito pouco se falou após as duas mortes violentas, integrantes de um crônica urbana sem envergadura para ancorar uma reação popular por leis e ritos mais assertivos.

Uma sugestão nunca bem recebida pelo motorista se vê em outras cidades pelo mundo com a redução da velocidade permitida em área urbana em favor de quem está caminhando.

É preciso preparar a cidade para o trânsito hoje e no futuro, quando a população idosa será maior do que a de jovens e adultos, e a mobilidade terá outras demandas.

Sobre o hoje: a região compreendida entre a Rua Manoel Oliveira e a Avenida Prefeito Carlos Ferreira Lopes passou a receber grande parte do tráfego de veículos e concentra serviços públicos (o hospital Luzia, a sede da Secretaria Municipal de Saúde) e atividades comerciais que recebem centenas de pessoas que transitam a pé entre os pontos de ônibus e os estacionamentos dessas vias. Quais são os pontos perigosos para a travessia? Como são eficácia do tempo dos semáforos e a fiscalização a quem excede na velocidade? As mesmas perguntas valem para a Rua Ipiranga, que possui diversos trechos residenciais e um carregado tráfego de veículos leves e pesados.