EDITORIAL

E agora?

Ainda é cedo para se avaliar, mas os primeiros dias após a reabertura gradual dos estabelecimentos comerciais sinalizam para a necessidade de se manter os programas governamentais emergenciais de socorro ao trabalhador e ao empregador nos próximos meses.

O comércio muito lutou para reabrir. E agora começa a enfrentar uma difícil realidade.

Com menos dinheiro circulando e sem a segurança sobre o que virá amanhã, a retomada do consumo poderá demorar ainda mais para acontecer. E o comportamento do consumo, com certeza, nos momentos iniciais, será diferente.

Ainda há instabilidade e insegurança para a volta às ruas, especialmente dos consumidores mais vulneráveis à infecção pelo novo coronavírus. É o caso dos aposentados que, mesmo com os salários mais do que achatados, são mola propulsora de compras.

À falta de parcelas importantes dos consumidores, o comércio sentirá ainda mais os efeitos do desemprego e da redução dos salários.

O cliente vai levar para a casa, apenas o que precisa e cabe no bolso. Mesmo confiante, o lojista terá de se valer de mais ferramentas para manter seus pontos de venda.

Agora, como nunca, serão demandadas a expertise das associações e serviços de inovação e proteção ao comércio (como Sebrae, Facesp). O setor também é uma fonte fundamental para a geração de emprego – no ano passado, das cerca de 100 mil pessoas com carteira assinada, 19 mil eram do comércio.

Como dissemos, ainda é cedo para análises. Porém, poderá ser vital, agora, a adaptação dos empreendedores mais resistentes a modelos de oferta e procura que se adaptem a novos nichos de consumo, focados na sustentabilidade do uso dos produtos.

Comprar apenas o necessário, não só pelo dinheiro escasso, mas pela consciência financeira e também ambiental, especialmente entre as novas gerações, pode ganhar capilaridade.

Governos e organizações como associações comerciais, prefeituras, serviços de apoio ao pequeno e médio empreendedores, e lideranças que se valeram do voto do comércio, têm a oportunidade, agora, de defender os interesses dessa classe.

Ao que tudo indica, cumprir as recomendações sanitárias será o mais fácil, como os últimos dias demonstraram. O que vem pelo futuro é pode poderá ditar as mudanças.


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