EDITORIAL

É preciso saber

“A cobrança do Condemat é justa e urgente. A rede pública não pode ser usada como plataforma política”

Enquanto cidades do Alto Tietê constroem hospitais de campanha para atender as demandas domésticas, ainda não se tem informações e clareza sobre o prometido aumento do total de leitos de clínica médica e de Unidade de Terapia Intensiva (UTIs) nos serviços estaduais e nem como será o protocolo de utilização desses recursos durante as curvas de contaminação da Covid-19.

Essa preocupação lançada pelo Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) no final de semana, ganha ainda mais força agora, quando o pico de casos graves registrados na Capital direciona os olhares para as vagas hospitalares da Região Metropolitana de São Paulo.

Já está claro que a cooperação entre as cidades será uma forma de melhor gerir o sistema público de saúde durante a pandemia, um evento excepcional por natureza. Não é possível prever, por exemplo, quando essa primeira onda de casos atingirá o pico, e nem quando (e como) virá a segunda onda de contaminação.

No início de abril, a Secretaria de Estado de Saúde anunciou a ampliação de 178 leitos de Clínica Médica de 97 em UTIs em hospitais estaduais de Guarulhos e do Alto Tietê.

Estamos em maio, e os secretários municipais de Saúde, em particular, ainda não sabem como será o plano assistencial que determinará a distribuição de vagas dos leitos públicos municipais, abertos nos hospitais de campanha, e estaduais.

Esse protocolo de atendimento dará segurança ao gerenciamento dos recursos materiais e humanos. A principal preocupação, hoje, é garantir o número adequado de profissionais de saúde capacitados a manejar respiradores, por exemplo.

Saber o que cada um dos serviços vai fazer moldará o funcionamento dos hospitais de campanhas, que vão acrescer substancialmente os custos municipais do combate ao novo coronavírus. Essa cobrança visa dar fôlego ao planejamento financeiro das prefeituras e reduzir gastos desnecessários.

Sempre importante lembrar que a Covid-19 é uma doença nova, com tratamento em teste, e que pode deixar alguns pacientes até 21 dias um leito de UTI.

A cobrança do Condemat é justa e urgente, sobretudo porque a rede pública não pode ser usada como plataforma política, por quem quer que seja. Anúncio feito, precisa ser cumprido e rapidamente.


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